PRINCÍPIOS E TÉCNICAS DE ELETROENCEFALOGRAFIA EM NEUROCIÊNCIA

AULA 10 - PRÉ-PROCESSAMENTO (parte II)

Instituto de Ciência e Tecnologia

Graduação em Engenharia Biomédica

Prof. Dr. Adenauer G. Casali

Laboratório de Neuroengenharia e Computação

casali@unifesp.br

PRINCÍPIOS E TÉCNICAS DE EEG EM NEUROCIÊNCIA

  1. Relembrando a aula passada: PCA
  2. Removendo artefatos com a Análise de Componentes Independentes
  3. Reamostragem e mudança de referência
  4. Um possível fluxograma para o pré-processamento de EEG

Adenauer G. CASALI

AULA 10

Nesta aula, nós veremos...

\textrm{\bf A} = \begin{pmatrix} \vec{a}_{1}^{T} (1 \times L)\\ \vec{a}_{2}^{T} (1 \times L)\\ \vdots\\ \vec{a}_{L}^{T} (1 \times L) \end{pmatrix}
\textrm{\bf C}_Y = \begin{pmatrix} \lambda_1 & 0 & \dots & 0\\ 0 & \lambda_2 & \dots & 0 \\ \vdots & & & \vdots \\ 0 & 0 & \dots & \lambda_L \end{pmatrix}

na nova base definida pelos autovetores da covariância de X:

\textrm{\bf C}_{X}\vec{a}_k=\lambda_k \vec{a}_k

Após a transformação, a matriz de covariância entre as componentes será diagonal:

Mas é sempre possível encontrar uma base ortonormal?

Teorema espectral da álgebra: matriz de covariância é real, simétrica e positivo-definida!

PCA: transformação Linear no Espaço do EEG

\vec{y}_i= \textrm{\bf A} \vec{x}_i

Na aula passada...

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\textrm{\bf A} = \begin{pmatrix} \vec{a}_{1}^{T} (1 \times L)\\ \vec{a}_{2}^{T} (1 \times L)\\ \vdots\\ \vec{a}_{L}^{T} (1 \times L) \end{pmatrix}

Transformação KL (Karhunen-Loeve): transformação ortonormal do espaço, rodando-o para a base de autovetores que diagonaliza a covariância entre os dados originais:

\vec{y}_i= \textrm{\bf A} \vec{x}_i
\textrm{\bf C}_Y = \begin{bmatrix} \lambda_1 & & & & & & \\ & \lambda_2 & & & & &\\ & & \ddots & & & & \\ & & & \lambda_m & & & \\ & & & & \lambda_{m+1} & & \\ & & & & & \ddots & \\ &&&&&&\lambda_{L} \end{bmatrix}
\textrm{\bf C}_{X}\vec{a}_k=\lambda_k \vec{a}_k

Uso possível de KL: compressão dos dados reduzindo a dimensão: ordenar os autovalores do maior para o menor e selecionar o espaço de dimensão desejada

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Exemplo: espaço em três dimensões

\vec{x}=x_1\vec{e}_1 + x_2\vec{e}_2 + x_3\vec{e}_3

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\vec{x}=(\vec{x}. \vec{a}_1) \vec{a}_1 + (\vec{x}. \vec{a}_2) \vec{a}_2 + (\vec{x}. \vec{a}_3) \vec{a}_3
\textrm{VAR}(\vec{x})=\lambda_1 \vec{a}_1 + \lambda_2 \vec{a}_2 + \lambda_3 \vec{a}_3

Exemplo: espaço em três dimensões

\vec{x}=x_1\vec{e}_1 + x_2\vec{e}_2 + x_3\vec{e}_3

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\vec{x}=(\vec{x}. \vec{a}_1) \vec{a}_1 + (\vec{x}. \vec{a}_2) \vec{a}_2 + (\vec{x}. \vec{a}_3) \vec{a}_3
\textrm{VAR}(\vec{x})=\lambda_1 \vec{a}_1 + \lambda_2 \vec{a}_2 + \lambda_3 \vec{a}_3
\vec{x}\approx\hat{\vec{x}}=(\vec{x}. \vec{a}_1) \vec{a}_1 + (\vec{x}. \vec{a}_2) \vec{a}_2

    é a melhor aproximação, em termos do erro quadrado médio, do vetor original em um espaço de dimensão fixa.

\hat{\vec{x}}

Exemplo: espaço em três dimensões

\vec{x}=x_1\vec{e}_1 + x_2\vec{e}_2 + x_3\vec{e}_3

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Uso da PCA na remoção de artefatos:

  • Um artefato específico pode estar descorrelacionado da atividade neural
  • Neste caso: a rotação da PCA isolaria a componente artefatual!
  • Estratégia:  rodar o espaço, remover a componente artefatual e retornar ao espaço original!
\vec{y}_i = \textrm{\bf A} \vec{x}_i
\vec{x}_i
\textrm{\bf A}
(L\times 1)
(L\times L)
\tilde{\vec{y}}_i
(L\times 1)
(l\times 1)
\tilde{\textrm{\bf A}}
(l\times L)
\tilde{\vec{x}}_i = \tilde{\textrm{\bf A}}^{T}\tilde{ \vec{y}}_i
(l< L)

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5. Análise de Componentes Principais

Exemplo com ECG:

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Exemplo para remoção de artefato ocular

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Exemplo para remoção de artefato ocular

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1. Removendo artefatos com a Análise de Componentes Independentes

Dependência estatística e dependência linear

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P(x,y) = P(x)P(y)

Independência estatística:

Se x e y são estatisticamente independentes

x e y são descorrelacionados.

Se x e y são descorrelacionados

não necessariamente são independentes!

1. Removendo artefatos com a Análise de Componentes Independentes

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\vec{y}_i= \textrm{\bf A} \vec{x}_i

PCA:

No novo espaço, as componentes são descorrelacionadas (linearmente independentes)

ICA:

\vec{s}_i= \textrm{\bf W} \vec{x}_i

No novo espaço, as componentes são estatisticamente independentes (ao menos em alguma aproximação!)

Autovetores da matriz de covariância

"Matriz de Separação"

\vec{x}_i= \textrm{\bf M} \vec{s}_i

"Matriz de Mistura"

"Fontes independentes"

Sinal medido

1. Removendo artefatos com a Análise de Componentes Independentes

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\vec{x}_i= \textrm{\bf M} \vec{s}_i
s_1
s_2
x_{1i}= 2s_{1i} + 3s_{2i}\\ x_{2i}= 2s_{1i} + s_{2i}
x_1
x_2

Como encontrar as fontes a partir da mistura?

1. Removendo artefatos com a Análise de Componentes Independentes

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http://sound.media.mit.edu/ica-bench/

1. Removendo artefatos com a Análise de Componentes Independentes

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Remove correlações

Algumas componentes são mais importantes que outras (em termos da variância)

Vetores de projeção são ortonormais

Método exato e analítico

Remove correlações e outras dependências

Em princípio, todas componentes são igualmente importantes (variância arbitrária)

Vetores de projeção não são ortonormais

Vários métodos aproximados: sem garantias!

PCA

ICA

1. Removendo artefatos com a Análise de Componentes Independentes

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Entendendo a ICA como o movimento contrário ao teorema do limite central 

1. Removendo artefatos com a Análise de Componentes Independentes

ICA

TLC

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Exemplo de algoritmo: fastICA

1. Removendo artefatos com a Análise de Componentes Independentes

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Exemplo de algoritmo: fastICA

1. Removendo artefatos com a Análise de Componentes Independentes

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Exemplo de algoritmo: fastICA

1. Removendo artefatos com a Análise de Componentes Independentes

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Exemplo de algoritmo: fastICA

1. Removendo artefatos com a Análise de Componentes Independentes

Princípios e Técnicas de EEG

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Exemplo de algoritmo: fastICA

1. Removendo artefatos com a Análise de Componentes Independentes

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Exemplo de algoritmo: fastICA

1. Removendo artefatos com a Análise de Componentes Independentes

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1. Removendo artefatos com a Análise de Componentes Independentes

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Uso da ICA na remoção de artefatos em sinais biomédicos

\vec{s}_i = \textrm{\bf W} \vec{x}_i
\vec{x}_i
\textrm{\bf W}
(L\times 1)
(L\times L)
\tilde{\vec{s}}_i
(L\times 1)
(l\times 1)
\tilde{\textrm{\bf M}}
(L\times l)
\tilde{\vec{x}}_i = \tilde{\textrm{\bf M}}\tilde{ \vec{s}}_i
(l< L)
{\textrm{\bf M}}= {\textrm{\bf W}}^{-1}
(L\times L)

1. Removendo artefatos com a Análise de Componentes Independentes

Princípios e Técnicas de EEG

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Exemplo de aplicação: remoção de artefatos em sinais biomédicos: ECG

Após remoção de componentes artefatuais

1. Removendo artefatos com a Análise de Componentes Independentes

Princípios e Técnicas de EEG

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1. Removendo artefatos com a Análise de Componentes Independentes

Princípios e Técnicas de EEG

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O que avaliar na remoção de componentes?

Série temporal das componentes

Topografia das componentes

Espectro

Épocas

Sinal evocado

1. Removendo artefatos com a Análise de Componentes Independentes

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ICA e artefatos oculares no EEG

Fonte: Iversen, J. - EEGLAB workshop (2017)

Fonte: Puce and Hamalainan (2017)

1. Removendo artefatos com a Análise de Componentes Independentes

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ICA e artefatos musculares no EEG

Fonte: Iversen, J. - EEGLAB workshop (2017)

Fonte: Puce and Hamalainan (2017)

1. Removendo artefatos com a Análise de Componentes Independentes

Princípios e Técnicas de EEG

Aula 10

ICA e artefatos cardíacos no EEG

Fonte: Iversen, J. - EEGLAB workshop (2017)

Fonte: Puce and Hamalainan (2017)

1. Removendo artefatos com a Análise de Componentes Independentes

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1. Removendo artefatos com a Análise de Componentes Independentes

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ICA e artefatos em TEPs

1. Removendo artefatos com a Análise de Componentes Independentes

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ICA com o MNE

1. Removendo artefatos com a Análise de Componentes Independentes

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ICA com o MNE

1. Removendo artefatos com a Análise de Componentes Independentes

ica.plot_sources

ica.plot_components

ica.plot_properties

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Limitações da ICA

  • Sem garantia de independência estatística (método numérico, não exato)
  • Avaliação subjetiva (automação não é totalmente confiável)
  • Número de componentes = números de canais
  • Uso de filtros, escolha de referência, épocas e canais ruins, etc -> impacto imprevisível
  • Polaridade e amplitude da componente são arbitrárias
  • Matriz de mistura é linear (o cérebro não!)
  • Alguns artefatos NÃO SÃO independentes da atividade neural (especialmente com ERPs!)

USE A ICA, MAS COM CUIDADO!

"EEG is better left alone" (Delorme, 2023)

1. Removendo artefatos com a Análise de Componentes Independentes

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2. Reamostragem e Mudanças de referência

Reamostragem: quando, como e por quê?

Mudanças de referência: quando, como e por quê?

Text

Filtro anti-aliasing

Reamostragem e ICA

No MNE: método "resampling"

No MNE: método "set_eeg_reference()"

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Mastóide esquerdo

Media (Fz, Cz, Pz)

Media (vários canais)

2. Reamostragem e Mudanças de referência

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3. Um Fluxograma de Pré-processamento de EEG

Registro bruto

Remoção artefatos especiais (TMS)

Artefatos especiais? (TMS)

Filtro passa-alta

(caso desejável)

Segmentação

Inspeção Épocas e Canais

PCA (para artefatos oculares com registro de EOG)

ICA (caso necessário)

Reamostragem

(filtro anti-aliasing)

Interpolação de Canais? 

Re-referenciamento

(se necessário)

ou

Outros filtros

(se necessário)

Reamostrar antes?

sinal com poucos artefatos (possivelmente sem usar ICA) 

Re-referenciamento?

ICA no dado bruto (sobretudo artefatos não estacionários na época)

Segunda Inspeção (sobretudo canais)

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Próximas Aulas:

AULA 11 - Pré-processando o EEG na prática

AULA 12 (Tópicos Avançados) - Como estimar entropia na prática?

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