Mecanismo Geral: Esta classe de antibióticos atua inibindo a produção de proteínas essenciais para o crescimento e sobrevivência da bactéria.
O alvo principal são os ribossomos bacterianos, que são diferentes dos ribossomos eucarióticos (humanos), permitindo seletividade.
Introdução: Inibidores da Síntese Proteica
Mecanismo Geral: Esta classe de antibióticos atua inibindo a produção de proteínas essenciais para o crescimento e sobrevivência da bactéria.
Classificação (Foco de Hoje):
Tetraciclinas e Glicilciclinas
Cloranfenicol
Macrolídeos e Cetolídeos
Lincosamidas (Clindamicina)
Estreptograminas (Quinupristina/Dalfopristina)
Oxazolidinonas (Linezolida)
Aminociclitóis (Espectinomicina)
Tetraciclinas e Glicilciclinas
Amplo Espectro com Retomada de Atividade
Visão Geral: As tetraciclinas (ex: doxiciclina, minociclina) são antibióticos clássicos de amplo espectro. As glicilciclinas (ex: tigeciclina) são análogos sintéticos que recuperam atividade contra cepas resistentes
Primeira linha (++): Arcanobacter sp., B. burgdorferi, Bartonella sp.,C. burnetii, C. trachomatis, Chlamydophila sp., Ehrlichia sp., Anaplasma sp., F. tularensis, K. granulomatis, Leptospira sp., M. pneumoniae, R. rickettsii.
Tetraciclinas e Glicilciclinas
Amplo Espectro com Retomada de Atividade
Visão Geral: As tetraciclinas (ex: doxiciclina, minociclina) são antibióticos clássicos de amplo espectro. As glicilciclinas (ex: tigeciclina) são análogos sintéticos que recuperam atividade contra cepas resistentes.
Agente Infeccioso e Espectro de Ação:
Bacteriostáticos.
Amplo espectro: Gram-positivos e Gram-negativos (aeróbios e anaeróbios).
Espiroquetas:Borrelia(Doença de Lyme), Treponema pallidum (Sífilis).
Outros: Algumas micobactérias atípicas, Plasmodium spp..
MRSA:Doxiciclina e minociclina mantêm atividade; Tigeciclina ativa contra muitos microrganismos resistentes a tetraciclinas.
Limitações (Tigeciclina): Ineficaz contra Pseudomonas, Proteus, Providencia spp.
Tetraciclinas e Glicilciclinas
Farmacodinâmica, Farmacocinética e Reações Adversas
Farmacodinâmica (Mecanismo de Ação):
Ligam-se à subunidade ribossômica 30S bacteriana.
Impedem o acesso do aminoacil-tRNA ao sítio A, bloqueando a adição de aminoácidos à cadeia proteica.
Farmacocinética:
Absorção: Variável por via oral (doxiciclina e minociclina >95%, outras incompletas). Tigeciclina apenas IV.
Interação com Cátions:Absorção reduzida por cálcio, magnésio, ferro (laticínios, antiácidos, suplementos). Orientar espaçamento!
Distribuição: Ampla em tecidos e fluidos (fígado, baço, medula óssea, ossos, dentes). Atravessam barreira placentária e são encontradas no leite materno. Tigeciclina tem grande volume de distribuição.
Excreção:Renal e/ou biliar, variando entre os membros da classe. Doxiciclina, minociclina e tigeciclina geralmente não requerem ajuste para disfunção renal.
Hepatotoxicidade: Mais com doses elevadas, IR, gravidez.
Nefrotoxicidade: Podem agravar azotemia. Demeclociclina pode causar diabetes insípido nefrogênico.
Coloração dos Dentes: Em crianças (< 8 anos) e fetos (durante a gestação).
Depressão do Crescimento Ósseo:Em lactentes prematuros.
Hipertensão Intracraniana (Pseudotumor Cerebral): Em lactentes.
Toxicidade Vestibular:Minociclina.
Tetraciclinas e Glicilciclinas
Contraindicações e Esquemas de Tratamento
Contraindicações:
Hipersensibilidade conhecida.
Gravidez e lactação.
Crianças menores de 8 anos (exceto para infecções graves como febre maculosa das Montanhas Rochosas, onde o benefício supera o risco de coloração dentária).
Insuficiência renal grave (atenção para alguns membros da classe).
Fármaco vencido (risco de Síndrome de Fanconi).
Tetraciclinas e Glicilciclinas
Doses, Posologias e Período de Tratamento (Exemplos):
Doxiciclina:
Adultos:100 mg VO/IV a cada 12h (primeiro dia), depois 50-100 mg VO/IV a cada 12-24h.
Períodos: Variam amplamente (ex: 7-14 dias para pneumonia; 60 dias para profilaxia de antraz; semanas para sífilis terciária).
Tigeciclina:
Adultos:100 mg IV (dose de ataque), depois 50 mg IV a cada 12h.
Ajuste: Reduzir dose em insuficiência hepática grave.
Indicações: Infecções de pele e tecidos moles não complicadas, infecções intra-abdominais complicadas.
Cloranfenicol
Poderoso, mas Reservado para Situações Específicas
Visão Geral: Antibiótico de amplo espectro, historicamente importante, mas seu uso é hoje restrito a infecções potencialmente fatais onde alternativas mais seguras falharam ou são contraindicadas, devido à toxicidade hematológica grave.
Agente Infeccioso e Espectro de Ação:
Bacteriostáticopara a maioria, bactericidapara H. influenzae, N. meningitidis, S. pneumoniae.
Síndrome do Bebê Cinzento:Em neonatos (especialmente prematuros) expostos a doses excessivas.
Cloranfenicol
Contraindicações e Esquemas de Tratamento
Contraindicações:
História de anemia aplástica induzida por cloranfenicol.
Quando há alternativas mais seguras e eficazes.
Cloranfenicol
Doses, Posologias e Período de Tratamento (Exemplos):
Meningite Bacteriana:
Crianças:50 mg/kg/dia IV, dividido em 4 doses a cada 6h (alternativa em casos de alergia grave a β-lactâmicos, especialmente em países em desenvolvimento).
Doenças por Rickettsia:
Adultos e Crianças: 50 mg/kg/dia IV, dividido a cada 6h. Doses mais altas (até 100 mg/kg/dia) em infecções graves por curto período.
Período: Continuar até melhora clínica e afebril por 24-48h.
Neonatos: Limitar dose a 25 mg/kg/dia.
Macrolídeos e Cetolídeos
Agentes Respiratórios com Perfis Distintos
Visão Geral: Macrolídeos (eritromicina, claritromicina, azitromicina) são antibióticos bacteriostáticos. Cetolídeos (telitromicina) são derivados dos macrolídeos, com modificações estruturais para superar resistência.
Claritromicina/Azitromicina: Espectro ampliado, melhor atividade contra Haemophilus influenzae, Moraxella catarrhalis, H. pylori, M. avium-intracellulare, Toxoplasma gondii.
Telitromicina: Similar, mas com atividade contraS. pneumoniae e S. aureus macrolídeo-resistentes.
Macrolídeos e Cetolídeos
Farmacodinâmica, Farmacocinética e Reações Adversas
Farmacodinâmica (Mecanismo de Ação):
Ligam-se reversivelmente à subunidade ribossômica 50S bacteriana.
Inibem a translocação (eritromicina) ou alteram a conformação ribossômica, impedindo a síntese proteica.
Cetolídeos superam mecanismos comuns de resistência a macrolídeos.
Macrolídeos e Cetolídeos
Farmacocinética:
Absorção: Variável (Eritromicina base inativada pelo ácido gástrico; claritromicina e azitromicina boa oral).
Interações Alimentares: Eritromicina e azitromicina não devem ser tomadas com alimento. Claritromicina pode.
Distribuição: Ampla distribuição tecidual, com alta concentração intracelular (especialmente azitromicina em fagócitos e tecidos). Baixa penetração no LCR. Atravessam placenta e estão no leite materno.
Metabolismo/Excreção: Variável.
Eritromicina: Principalmente biliar. Sem ajuste renal.
Hepatotoxicidade: Hepatite colestática (Eritromicina estolato). Telitromicina associada a hepatotoxicidade grave, incluindo casos fatais.
Cardiotoxicidade: Prolongamento do intervalo QT, arritmias ventriculares (Torsades de Pointes) com eritromicina, claritromicina, telitromicina.
Comprometimento Auditivo Transitório: Com altas doses IV de eritromicina.
Distúrbios Visuais: Telitromicina (visão turva, diplopia, perda de consciência).
Exacerbação de Miastenia Gravis: Telitromicina.
Interações Medicamentosas: Eritromicina, claritromicina, telitromicina são inibidores de CYP3A4, potencializando outras drogas (carbamazepina, digoxina, teofilina, varfarina). Azitromicina tem menor potencial de interação.
Macrolídeos e Cetolídeos
Contraindicações e Esquemas de Tratamento
Contraindicações:
Hipersensibilidade conhecida.
Síndrome do QT longo congênita, uso concomitante de outros fármacos que prolongam o intervalo QT.
Miastenia gravis (para Telitromicina).
Macrolídeos e Cetolídeos
Doses, Posologias e Período de Tratamento (Exemplos):
Eritromicina (Base):
Adultos: 250-500 mg VO 4x/dia ou 500-1000 mg IV a cada 6h.
Crianças: 30-50 mg/kg/dia em 4 doses.
Claritromicina:
Adultos: 250-500 mg VO 2x/dia.
Crianças: 7,5 mg/kg VO 2x/dia.
Azitromicina:
Adultos (Pneumonia/Pele): 500 mg VO/IV (dia 1), depois 250 mg VO/IV 1x/dia por 4 dias.
DSTs: 1 g VO dose única.
Crianças (Otite/Pneumonia): 10 mg/kg (dia 1), depois 5 mg/kg/dia por 4 dias.
Telitromicina: 400 mg VO 1x/dia (usar com cautela devido à hepatotoxicidade).
Períodos: Variam (ex: 7-14 dias para pneumonia; 3-5 dias para algumas infecções respiratórias).
Lincosamidas (Clindamicina)
Foco nos Anaeróbios
Visão Geral:Clindamicina é a principal lincosamida utilizada, conhecida por sua excelente atividade contra bactérias anaeróbias.
Agente Infeccioso e Espectro de Ação:
Bacteriostática.
Excelente atividade contra Anaeróbios:Bacteroides fragilis, Peptostreptococcus, Peptococcus, Clostridium perfringens.
Cocos Gram-positivos:Streptococcus pneumoniae, Streptococcus pyogenes, estafilococos sensíveis à meticilina (MSSA).
Protozoários: Alternativa para Pneumocystis jirovecii (com primaquina) e Toxoplasma gondii (com pirimetamina).
Inativa: Bacilos Gram-negativos aeróbios, M. pneumoniae.
Lincosamidas (Clindamicina)
Farmacodinâmica, Farmacocinética e Reações Adversas
Farmacodinâmica (Mecanismo de Ação):
Liga-se exclusivamente à subunidade ribossômica 50S bacteriana.
Suprime a síntese proteica. Compartilha local de ligação com macrolídeos e cloranfenicol.
Lincosamidas (Clindamicina)
Farmacocinética:
Absorção: Quase completa por via oral. Alimento não interfere significativamente.
Distribuição: Ampla (incluindo osso, abscessos). Baixa penetração no LCR. Atravessa placenta. Alta ligação proteica (>90%). Acumula-se em macrófagos.
Metabolismo: Hepático (N-desmetilclindamicina e sulfóxido).
Excreção: Principalmente biliar (atividade antimicrobiana persiste nas fezes por 5 dias). Cerca de 10% na urina.
Ajuste: Pode ser necessário em insuficiência hepática grave.
Neuromuscular: Pode inibir transmissão neuromuscular, potencializando bloqueadores neuromusculares.
Lincosamidas (Clindamicina)
Contraindicações e Esquemas de Tratamento
Contraindicações:
Hipersensibilidade conhecida.
Pacientes com colite pseudomembranosa pré-existente (relativa).
Recomendação de evitar em infecções profundas com microrganismos que exibem resistência induzível a macrolídeos (teste D positivo), devido ao risco de falha terapêutica.
Lincosamidas (Clindamicina)
Doses, Posologias e Período de Tratamento (Exemplos):
Oral:
Adultos: 150-300 mg a cada 6h (infecções leves), 300-600 mg a cada 6h (infecções graves).
Crianças: 8-12 mg/kg/dia em 3-4 doses; para infecções graves 13-25 mg/kg/dia.
Parenteral (IV/IM):
Adultos: 1.200-2.400 mg/dia divididos em 3-4 doses (infecções graves).
Crianças: 15-40 mg/kg/dia em 3-4 doses (mínimo 300 mg/dia para infecções graves).
Períodos: Variam (ex: 10-14 dias para pneumonia; semanas para osteomielite).
Estreptograminas (Quinupristina/Dalfopristina)
Ação Sinergica contra Gram-Positivos Resistentes
Visão Geral: Combinação de dois componentes (quinupristina e dalfopristina) em proporção 30:70, com atividade sinérgica e bactericida.
Bactericida contra estreptococos e estafilococos; Bacteriostático contra E. faecium.
Inativo: Grande parte dos Gram-negativos.
Indicação principal: Infecções graves por E. faecium resistente à vancomicina (VRE).
Estreptograminas
Farmacodinâmica, Farmacocinética e Reações Adversas
Farmacodinâmica (Mecanismo de Ação):
Ambos os componentes ligam-se à subunidade ribossômica 50S.
Quinupristina: Inibe o alongamento da cadeia polipeptídica.
Dalfopristina: Liga-se próximo à quinupristina, alterando a conformação ribossômica e potencializando a ligação da quinupristina, além de interferir diretamente na formação da cadeia polipeptídica.
A ação combinada é sinérgica e leva a atividade bactericida (exceto para E. faecium).