FARMACOCINÉTICA
A Dinâmica dos Fármacos no Organismo
Iain L. O. Buxton e Leslie Z. Benet
O Que é Farmacocinética?
- Definição: Estudo dos processos que governam a absorção, distribuição, metabolismo (biotransformação) e excreção dos fármacos no organismo.
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Objetivo: Compreender e controlar a ação terapêutica dos fármacos.
- Saber quanto do fármaco chega aos locais de ação.
- Saber quando isso ocorre.
- Importância Clínica: O entendimento dos princípios farmacocinéticos aumenta a probabilidade de sucesso terapêutico e reduz a ocorrência de efeitos adversos.
Fatores Físico-Químicos no Transporte dos Fármacos
- Transporte através das Membranas: Absorção, distribuição, metabolismo e excreção dependem do transporte através das membranas celulares.
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Propriedades do Fármaco que Influenciam o Transporte:
- Peso molecular e conformação estrutural.
- Grau de ionização.
- Lipossolubilidade relativa (compostos ionizados e não ionizados).
- Ligação a proteínas séricas e teciduais.
- Membrana Plasmática: Principal barreira para a distribuição do fármaco.
Membranas Celulares e Permeabilidade
- Estrutura: Dupla camada de lipídeos anfipáticos com cadeias de ácidos graxos hidrofóbicas internas e polos hidrofílicos externos.
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Fluidez e Impermeabilidade:
- O colesterol e esfingolipídeos conferem fluidez e flexibilidade.
- Alta resistência elétrica e impermeabilidade relativa a moléculas altamente polares.
- Proteínas: Âncoras estruturais, receptores, canais iônicos ou transportadores.
- Permeabilidade à Água: Relativamente permeáveis à água, mas moléculas de fármacos grandes e polares não passam por fluxo volumoso.
- Formas Livres: A transferência de fármacos limita-se às suas formas livres. Complexos fármaco-proteína são reservatórios inativos.
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Passagem Paracelular: Ampla nos espaços intercelulares, geralmente limitada pelo fluxo sanguíneo, não por outros fatores.
- Exceção: Junções intercelulares "estreitas" (ex: SNC).
- Substâncias pequenas hidrossolúveis < 100-200 Da podem ser arrastadas por fluxo de água.
Fluxo Passivo pelas Membranas
- Mecanismo: Difusão seguindo um gradiente de concentração.
- Solubilidade: Depende da solubilidade do fármaco na camada lipídica dupla.
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Proporcionalidade: Diretamente proporcional a:
- Amplitude do gradiente de concentração.
- Coeficiente de partição hidrolipídica do fármaco.
- Área da membrana exposta ao fármaco.
- Estado de Equilíbrio: Concentração do fármaco livre igual nos dois lados da membrana (se não for eletrólito).
- Compostos Iônicos: Concentrações de equilíbrio dependem do gradiente eletroquímico e das diferenças de pH, que influenciam o estado de ionização.
Eletrólitos Fracos e a Influência do pH
- Natureza dos Fármacos: Muitos são ácidos ou bases fracas, existindo em formas ionizadas e não ionizadas.
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Lipossolubilidade:
- Moléculas não ionizadas: Geralmente mais lipossolúveis e difundem-se mais facilmente.
- Moléculas ionizadas: Menos lipossolúveis, penetram menos na membrana lipídica.
- Distribuição Transmembrana: Influenciada pelo pKa do fármaco e pelo gradiente de pH através da membrana.
- pKa: pH no qual metade do fármaco (ácido ou base fraca) está em sua forma ionizada.
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Equação de Henderson-Hasselbalch:
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log ([forma protonada] / [forma não protonada]) = pKa - pH(para ácidos) -
log ([forma não protonada] / [forma protonada]) = pH - pKa(para bases)
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Partição Iônica e Excreção Urinária
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Partição Iônica: Fármaco ácido acumula-se no lado mais básico da membrana. Fármaco básico concentra-se no lado mais ácido.
- Exemplo: Ácido fraco (pKa 4,4) no plasma (pH 7,4) vs. suco gástrico (pH 1,4).
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Implicações na Excreção Renal:
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Urina alcalina: Facilita a excreção de ácidos fracos (mais ionizados).
- Ex: Bicarbonato de sódio aumenta excreção de ácido acetilsalicílico (pKa ~3,5) e urato (pKa ~5,8).
- Urina ácida: Favorece a excreção de bases fracas (mais ionizadas).
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Urina alcalina: Facilita a excreção de ácidos fracos (mais ionizados).
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Barreira Hematoencefálica (BHE): Fármacos ionizados (menos lipofílicos) não atravessam facilmente a BHE.
- Ex: Anti-histamínicos de 2ª geração (loratadina) causam menos sedação por serem ionizados no pH fisiológico.
Transporte de Membrana Mediado por Carreadores
- Difusão Passiva: Predomina na distribuição da maioria dos fármacos.
- Mecanismos Mediados por Carreadores: Desempenham papel importante.
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Transporte Ativo:
- Necessidade imediata de energia.
- Movimento contra um gradiente eletroquímico.
- Saturabilidade e seletividade.
- Inibição competitiva por compostos cotransportados.
- Ex: Na+, K+-ATPase (alvo da digoxina).
- Transporte ativo secundário: Usa energia de um gradiente pré-existente (ex: permutador Na+-Ca2+, transportadores SGLT1/SGLT2 de glicose).
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Difusão Facilitada:
- Processo mediado por carreador, mas sem gasto de energia.
- Segue um gradiente químico.
- Ex: Penetração de glicose na célula muscular mediada por GLUT4.
Exportadores e Glicoproteína-P (MDR1)
- Exportadores: Mecanismos que funcionam como barreira para evitar acúmulo intracelular de substâncias potencialmente tóxicas.
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Glicoproteína-P (P-gp):
- Codificada pelo gene MDR1 (Resistência a Múltiplos Fármacos).
- Localizada em enterócitos, limita a absorção oral de fármacos, expulsando-os de volta ao lúmen GI.
- Também pode conferir resistência a quimioterápicos.
- Presente na barreira hematoencefálica e placenta, limitando o acesso de fármacos.
Absorção, Biodisponibilidade e Vias de Administração
- Absorção: Transferência do fármaco do local de administração para o compartimento central (circulação sistêmica).
- Biodisponibilidade: Porcentagem de uma dose que chega ao seu local de ação (ou fluido biológico a partir do qual atinge o local de ação).
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Fatores que Limitam a Absorção Oral:
- Características da preparação do fármaco (dissolução).
- Propriedades físico-químicas.
- Metabolismo intestinal.
- Transferência de volta ao lúmen intestinal (transportadores).
- Efeito de Primeira Passagem: Metabolismo e/ou excreção biliar no intestino e fígado antes de chegar à circulação sistêmica. Reduz significativamente a biodisponibilidade.
Vias de Administração: Oral (Enteral) vs. Parenteral
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Administração Oral (mais comum):
- Vantagens: Segura, conveniente, econômica.
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Desvantagens:
- Absorção limitada (hidrossolubilidade, permeabilidade).
- Vômitos, destruição por enzimas/pH gástrico.
- Irregularidades na absorção (alimentos, outros fármacos).
- Necessidade de colaboração do paciente.
- Metabolismo de primeira passagem (flora intestinal, mucosa, fígado).
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Injeção Parenteral:
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Vantagens:
- Essencial para alguns fármacos (ex: anticorpos monoclonais).
- Biodisponibilidade mais rápida, ampla e previsível.
- Titulação precisa da dose.
- Uso em emergências ou pacientes inconscientes/incapazes de colaborar.
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Desvantagens:
- Necessidade de assepsia.
- Doloroso, difícil para autoaplicação.
- Não há como retirar o fármaco após injeção.
- Não adequado para soluções oleosas ou substâncias pouco solúveis em via IV.
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Vantagens:
Administração Oral: Detalhes da Absorção
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Fatores Determinantes:
- Área disponível à absorção.
- Fluxo sanguíneo na superfície absortiva.
- Estado físico (solução, suspensão, sólido) e hidrossolubilidade.
- Concentração no local de absorção.
- Fármacos Sólidos: Taxa de dissolução limita a absorção.
- Difusão Passiva: Favorecida pela forma não ionizada lipofílica.
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Conceito de pH-Partição:
- Ácidos fracos: Mais absorvidos no estômago (pH 1,0-2,0)?
- Bases fracas: Mais absorvidas no intestino (pH 3,0-6,0)?
- Realidade: Intestino tem área superficial muito maior (~200 m²) e vilosidades, superando o pH menos favorável. Maior absorção ocorre no intestino.
- Esvaziamento Gástrico: Fatores que o aceleram (ex: posição de decúbito lateral direito) aumentam a taxa de absorção do fármaco.
Preparações de Liberação Controlada e Revestimento Entérico
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Revestimento Entérico:
- Protege fármacos destruídos por secreções gástricas/pH ácido, ou que irritam o estômago (ex: ácido acetilsalicílico).
- Impede dissolução no estômago, libera o fármaco em pH mais alto (5,0-6,0) no intestino.
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Preparações de Liberação Controlada (Lenta e Uniforme):
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Vantagens:
- Redução da frequência de administração (maior adesão).
- Manutenção do efeito terapêutico noturno.
- Redução da incidência/intensidade de efeitos indesejáveis (elimina picos de concentração).
- Atenuação dos desníveis de concentração.
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Inconvenientes:
- Maior variabilidade da concentração sistêmica.
- Risco de "dumping de dose" (liberação abrupta de toda a dose, causando toxicidade).
- Mais dispendiosas.
- Pode predispor ao uso abusivo (ex: oxicodona).
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Vantagens:
Outras Vias de Administração
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Sublingual:
- Importância para alguns fármacos (ex: nitroglicerina).
- Drenagem venosa da boca para veia cava superior → evita circulação porta e metabolismo de primeira passagem.
- Fármacos não iônicos e lipossolúveis (nitroglicerina) são absorvidos rapidamente.
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Transdérmica:
- Penetração pela pele intacta depende da superfície de aplicação e lipossolubilidade.
- Epiderme é barreira lipídica, derme é livremente permeável.
- Aumenta absorção em pele abrasada/queimada/inflamada.
- Adesivos transdérmicos de liberação controlada (nicotina, escopolamina, fentanila, hormônios).
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Retal:
- Cerca de 50% do fármaco absorvido evita o fígado (menor metabolismo de primeira passagem).
- Absorção irregular e incompleta, pode irritar a mucosa.
Injeção Parenteral: IV, SC e IM
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Absorção em SC e IM: Difusão simples ao longo do gradiente entre o depósito de fármaco e o plasma.
- Limitada pela área das membranas capilares absortivas e solubilidade da substância.
- Canais aquosos amplos nas membranas endoteliais permitem difusão indiscriminada (independente da lipossolubilidade).
- Moléculas grandes (proteínas) entram lentamente via canais linfáticos.
- Pulmões: Podem funcionar como reservatório temporário (principalmente bases fracas não iônicas), e como filtro para partículas IV.
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Via Intravenosa (IV):
- Fatores limitantes da absorção anulados. Biodisponibilidade completa e rápida.
- Liberação controlada e precisa.
- Uso em anestesia, situações de emergência.
- Riscos: Reações indesejáveis rápidas, altas concentrações plasmáticas, difícil remoção. Não usar soluções oleosas, precipitantes, ou hemolíticas.
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Via Subcutânea (SC):
- Apenas fármacos não irritantes.
- Taxa de absorção constante e lenta para efeito prolongado (insulina).
- Agentes vasoconstritores (epinefrina com lidocaína) retardam absorção.
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Via Intramuscular (IM):
- Absorção muito rápida para soluções aquosas, dependendo do fluxo sanguíneo local.
- Pode ser modulada por aquecimento, massagem, exercício.
- Velocidade de absorção varia (deltoide/vasto lateral > glúteo maior; mais lenta em mulheres no glúteo maior devido à gordura).
- Soluções oleosas/suspensões (depot) → absorção lenta e constante (antibióticos).
Vias Parenterais Especiais e Pulmonar
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Via Intra-arterial:
- Injeção direta para localizar efeitos em órgão específico (tumores hepáticos).
- Não sofre atenuação, primeira passagem ou eliminação pulmonar.
- Requer muito cuidado e especialistas.
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Via Intratecal:
- Injeção direta no espaço subaracnoideo medular (anestesia espinal, infecções do SNC).
- Necessária devido à barreira hematoencefálica (BHE) e líquido cefalorraquidiano (LCS) que impedem/retardam entrada de fármacos no SNC.
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Absorção Pulmonar:
- Fármacos gasosos e voláteis (anestésicos) e aerossóis (asma, rinite).
- Acesso rápido à circulação (grande área pulmonar).
- Evita metabolismo hepático de primeira passagem.
- Aplicação local desejada em doença pulmonar.
Aplicação Tópica
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Mucosas (conjuntiva, nasofaringe, vagina, etc.):
- Principalmente para efeitos locais.
- Absorção rápida; risco de efeitos tóxicos sistêmicos (ex: anestésicos tópicos).
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Olhos:
- Principalmente para efeitos locais (colírios).
- Absorção sistêmica indesejável (drenagem nasolacrimal).
- Infecção/trauma corneano acelera absorção.
- Implantes oculares (pilocarpina para glaucoma) liberam pequenas quantidades continuamente, atenuando efeitos sistêmicos.
Novos Métodos de Liberação dos Fármacos
- Sistemas e Dispositivos: Dispersam fármacos, produzem liberação tópica e minimizam exposição sistêmica.
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Veículos Transportadores: Modificam a distribuição, diminuindo toxicidade sistêmica.
- Ex: Caliqueamicina (citotóxico) ligada a anticorpo para direcionamento a células leucêmicas.
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Polímeros Biocompatíveis:
- Fármaco-polímero como pró-fármaco estável e de circulação prolongada.
- Liberação do fármaco ativo em tecidos-alvo por disparadores específicos (atividade enzimática).
- Nanopartículas: Novas oportunidades em diagnóstico, liberação dirigida e avaliação clínica (imagens).
Bioequivalência
- Equivalentes Farmacêuticos: Mesmos ingredientes ativos, idênticos em potência/concentração, apresentação e via de administração.
- Bioequivalentes: Fármacos equivalentes farmacêuticos cujas taxas e amplitudes de biodisponibilidade do ingrediente ativo não são significativamente diferentes.
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Variações: No passado, diferenças em biodisponibilidade (principalmente em preparações orais de fármacos pouco solúveis).
- Ex: Metronidazol (preparação genérica não bioequivalente inicial).
- Fatores que Afetam: Conformação dos cristais, diâmetro das partículas, outras características físicas.
- Regulamentação: Hoje, regulamentação rigorosa evita a não bioequivalência para fármacos genéricos aprovados.
Distribuição dos Fármacos
- Definição: Após absorção/administração sistêmica, o fármaco distribui-se para líquidos intersticiais e intracelulares.
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Fatores Determinantes:
- Fisiológicos: Débito cardíaco, fluxo sanguíneo regional, permeabilidade capilar, volume tecidual.
- Físico-químicos: Lipossolubilidade, gradientes de pH transmembrana.
- Fase Inicial: Órgãos bem irrigados (fígado, rins, cérebro) recebem a maior parte do fármaco.
- Fase Posterior: Músculos, vísceras, pele, tecido adiposo (mais lenta, leva horas para equilíbrio). Envolve fração maior da massa corporal.
- Difusão para Líquido Intersticial: Rápida, devido à permeabilidade da membrana endotelial capilar.
- Fracionamento Fármaco-Tecido: Determinado pela ligação do fármaco a proteínas plasmáticas e macromoléculas teciduais.
- Sequestro Iônico: Gradiente de pH entre tecidos e sangue é pequeno, então o sequestro iônico não é grande.
Ligação às Proteínas Plasmáticas
- Ocorrência: Alguns fármacos circulam ligados a proteínas plasmáticas.
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Principais Carreadores:
- Albumina: Para fármacos ácidos.
- Glicoproteína ácida α1: Para fármacos básicos.
- Ligação: Geralmente reversível. Em casos raros, ligações covalentes (agentes alquilantes).
- Determinantes da Fração Ligada: Concentração do fármaco, afinidade e número de locais de ligação.
- Processo Não Linear e Saturável: Varia com a concentração do fármaco.
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Significado Clínico:
- Apenas a fração livre: Atua, está em equilíbrio e é filtrada pelos glomérulos.
- A ligação limita a concentração nos tecidos e locais de ação.
- Alterações na ligação (ex: hipoalbuminemia, doença hepática/renal) aumentam a fração livre e podem ter significado clínico para fármacos de alta depuração e baixo índice terapêutico.
- Não limita secreção tubular ou metabolismo, pois a redução do fármaco livre leva à dissociação do ligado.
Ligação e Reservatórios nos Tecidos
- Acúmulo Tecidual: Alguns fármacos acumulam-se em tecidos em concentrações muito maiores que no plasma (ex: quinacrina no fígado).
- Mecanismos: Transporte ativo ou, mais comum, ligação tecidual.
- Natureza: Geralmente reversível (proteínas, fosfolipídeos, proteínas nucleares).
- Função de Reservatório: Prolonga a ação do fármaco no tecido ou em locais distantes.
- Toxicidade Local: Acúmulo pode causar efeitos tóxicos (ex: gentamicina nos rins/ouvido).
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Tecido Adiposo:
- Reservatório para fármacos lipossolúveis (tiopental).
- Estável devido à escassa irrigação sanguínea.
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Ossos:
- Tetraciclinas e metais pesados acumulam-se por adsorção e incorporação.
- Podem ser reservatórios para liberação lenta de tóxicos (chumbo, rádio).
- Fosfonatos (etidronato) ligam-se aos cristais ósseos, sendo terapêuticos na osteoporose.
Redistribuição
- Cessação do Efeito Farmacológico: Além de metabolismo e excreção, pode ser causada pela redistribuição do fármaco do seu local de ação para outros tecidos.
- Importância: Principalmente para compostos altamente lipossolúveis que atuam no SNC ou sistema cardiovascular, administrados rapidamente por IV ou inalação.
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Exemplo: Tiopental (anestésico IV):
- Alta lipossolubilidade, grande fluxo sanguíneo cerebral.
- Concentração máxima no cérebro em 1 min.
- Concentração plasmática diminui à medida que se difunde para músculos, etc.
- Concentração cerebral acompanha nível plasmático (pouca ligação no cérebro).
- Início e término da anestesia são rápidos e relacionados à concentração cerebral.
SNC, Barreira Hematoencefálica e Líquido Cefalorraquidiano (LCS)
- Barreiras: BHE e LCS limitam/retardam a entrada de fármacos no SNC.
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BHE: Células endoteliais dos capilares cerebrais com junções de oclusão contínuas.
- Penetração depende do transporte transcelular.
- Lipossolubilidade da forma não ionizada e livre é determinante.
- Fármacos mais lipofílicos atravessam melhor (ex: difenidramina vs. loratadina).
- Plexo Coroide: Barreira semelhante entre sangue e LCS (células epiteliais com junções de oclusão).
- Transportadores de Captação Específica: Fármacos podem entrar por transportadores de nutrientes/compostos endógenos.
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Transportadores de Efluxo:
- MDR1 (P-gp) e polipeptídeo transportador de ânions orgânicos (PTAO) nas células endoteliais cerebrais.
- Removem grande número de fármacos, limitando o acesso ao cérebro (e testículos).
- Ex: Inibidores de protease do HIV, loperamida.
- Inflamação: Meningite/encefalite aumentam a permeabilidade da BHE.
- Violação Terapêutica: Usada para tratamento de alguns tumores cerebrais (ex: linfomas primários do SNC) para aumentar entrega de quimioterápicos.
Transferência Placentária dos Fármacos
- Importância: Alguns compostos podem causar anomalias no desenvolvimento do feto ou efeitos adversos no recém-nascido.
- Determinantes Gerais: Lipossolubilidade, extensão da ligação plasmática, grau de ionização (ácidos/bases fracas).
- Sequestro Iônico Fetal: Plasma fetal é ligeiramente mais ácido (pH 7,0-7,2) que o materno (pH 7,4) → sequestro iônico de fármacos básicos no feto.
- P-gp e Transportadores de Efluxo: Presentes na placenta, limitam exposição fetal a agentes tóxicos.
- Realidade: Placenta não é barreira absolutamente eficaz. Feto fica exposto a todos os fármacos usados pela mãe.
Excreção dos Fármacos
- Definição: Eliminação do fármaco (inalterado ou como metabólito).
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Polaridade: Órgãos excretores eliminam mais eficazmente compostos polares.
- Fármacos lipossolúveis são eliminados dificilmente até serem metabolizados em compostos mais polares.
- Rim: Órgão mais importante para excreção de fármacos e metabólitos.
- Fezes: Predominantemente fármacos não absorvidos ou metabólitos excretados na bile/secretados no trato GI (não reabsorvidos).
- Leite Materno: Importante por risco ao lactente (quantidades pequenas, mas podem causar efeitos farmacológicos).
- Excreção Pulmonar: Principalmente para gases anestésicos.
Excreção Renal
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Três Processos Independentes:
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Filtração Glomerular:
- Apenas a fração livre do fármaco é filtrada.
- Depende da taxa de filtração glomerular e da ligação plasmática.
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Secreção Tubular Ativa:
- No túbulo proximal, mediada por carreadores (P-gp, MRP2 para ânions anfipáticos e metabólitos; transportadores de solutos para cátions orgânicos).
- Aumenta a quantidade de fármaco no líquido tubular.
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Reabsorção Tubular Passiva:
- Formas não ionizadas de ácidos e bases fracas sofrem reabsorção global.
- Gradiente de concentração para difusão retrógrada é gerado pela reabsorção de água.
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Dependência do pH: Células tubulares são menos permeáveis a formas ionizadas.
- Urina alcalina: Ácidos fracos mais ionizados, excretados mais rapidamente.
- Urina ácida: Bases fracas mais ionizadas, excretadas mais rapidamente.
- Tratamento de Intoxicações: Acelerar excreção alterando pH da urina.
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Filtração Glomerular:
- Função Renal: Declínio com a idade, baixa em recém-nascidos.
Excreções Biliar e Fecal
- Membrana Canalicular do Hepatócito: Transportadores (P-gp, PRCM, MRP2) secretam fármacos e metabólitos na bile.
- Bile: Fármacos/metabólitos são liberados no trato GI durante a digestão.
- Enterócitos: Transportadores secretores na membrana apical também secretam fármacos/metabólitos da circulação sistêmica para o lúmen intestinal.
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Reciclagem Êntero-hepática: Fármacos/metabólitos podem ser reabsorvidos do intestino de volta ao corpo.
- Pode prolongar significativamente a permanência e os efeitos do fármaco (ou toxina).
- Ex: Ezetimiba (longa meia-vida devido à reciclagem).
- Interrupção da Reciclagem: Fármacos orais podem ser usados para se ligar a substâncias excretadas na bile, impedindo reabsorção (ex: intoxicação por mercúrio).
Outras Vias de Excreção
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Suor, Saliva e Lágrimas: Quantitativamente desprezíveis.
- Dependem principalmente da difusão da forma lipossolúvel não ionizada e do pH.
- Concentração de alguns fármacos na saliva proporcional ao nível plasmático (útil para monitoramento).
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Leite Materno:
- Como o leite é mais ácido que o plasma, compostos básicos podem ser ligeiramente concentrados.
- Compostos ácidos têm menor concentração.
- Compostos não eletrolíticos (etanol) atingem a mesma concentração do plasma.
- Amamentação expõe o lactente a fármacos/metabólitos (ex: atenolol).
- Cabelos e Pele: Quantitativamente desprezível, mas métodos sensíveis têm significado forense.
Metabolismo dos Fármacos
- Objetivo: Converter fármacos lipofílicos (que promovem passagem por membranas) em metabólitos mais hidrofílicos para facilitar a excreção.
- Relevância: Essencial para eliminação do organismo e cessação de suas atividades biológica/farmacológica.
- Resultado Geral: Metabólitos inativos e mais polares, facilmente excretados.
- Exceção: Metabólitos com atividade biológica potente ou propriedades tóxicas (ex: pró-fármacos que se tornam ativos, ou metabólitos tóxicos).
- Farmacogenética: Estudo da expressão e atividades de isoformas de enzimas metabólicas específicas para individualizar a quimioterapia.
Fases do Metabolismo dos Fármacos
- Classificação: Dois tipos principais.
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Reações de Fase I (Funcionalização):
- Introduzem ou expõem um grupo funcional (ex: hidrólise, oxidação, redução).
- Geralmente resultam em perda da atividade farmacológica.
- Podem conservar ou ampliar a atividade (ex: pró-fármacos).
- Pró-fármacos: Compostos farmacologicamente inativos, convertidos em metabólitos biologicamente ativos (ex: enalapril em enalaprilato).
- Produtos da Fase I podem reagir com compostos endógenos para formar conjugados hidrossolúveis.
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Reações de Fase II (Conjugação/Biossíntese):
- Formação de ligação covalente entre um grupo funcional (do fármaco original ou metabólito da Fase I) e moléculas endógenas (ácido glicurônico, sulfato, glutationa, aminoácidos, acetato).
- Geralmente produzem conjugados altamente polares, inativos e rapidamente excretados.
- Exceção: Metabólito 6-glicuronídico da morfina (analgésico mais potente).
Locais e Enzimas do Metabolismo
- Principal Local: Fígado.
- Outros Órgãos com Função Metabólica Significativa: Trato GI, rins, pulmões.
- Metabolismo de Primeira Passagem: Após administração oral, porcentagem significativa da dose pode ser inativada no epitélio intestinal ou fígado antes de chegar à circulação sistêmica.
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Localização Celular:
- Maior parte da atividade metabólica: Retículo endoplasmático liso e citosol.
- Também em mitocôndrias, invólucro nuclear, membrana plasmática.
- Enzimas de Fase I: Principalmente no retículo endoplasmático.
- Enzimas de Fase II: Predominantemente citosólicas.
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Principais Enzimas:
- CYPs (Citocromo P450): Família de isoformas que realizam muitas reações de Fase I.
- Transferases: Envolvidas em reações de conjugação de Fase II.
Farmacocinética Clínica: Introdução
- Princípio Fundamental: Existe uma relação entre os efeitos farmacológicos e a concentração disponível dos fármacos (ex: no sangue ou plasma).
- Benefício: Ajuda a interpretar determinações de concentrações em líquidos biológicos e ajustar doses para o benefício do paciente.
- Objetivo: Aumentar a eficácia terapêutica e reduzir efeitos indesejáveis.
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Quatro Parâmetros Mais Importantes:
- Biodisponibilidade: Fração absorvida na forma original para a circulação sistêmica.
- Volume de Distribuição (V): Medida do espaço aparente disponível no organismo para conter o fármaco.
- Depuração (CL): Medida da eficiência do organismo para eliminar o fármaco.
- Meia-vida de Eliminação (t1/2): Taxa de remoção do fármaco da circulação sistêmica.
Depuração (Clearance - CL)
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Definição: Conceito mais importante para o planejamento de esquema de administração prolongada.
- Volume de um líquido biológico (ex: plasma) do qual o fármaco seria totalmente removido por unidade de tempo.
- Objetivo Terapêutico: Manter concentrações do fármaco em equilíbrio dentro da janela terapêutica.
-
Fórmula (Estado de Equilíbrio):
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Frequência de Administração = CL * C_ss(Equação 2-2) - Onde
C_ssé a concentração em estado de equilíbrio.
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Cinética de Eliminação:
- Primeira Ordem: A taxa de eliminação é diretamente proporcional à concentração do fármaco. A depuração é constante (sistemas não saturados).
-
Zero Ordem: Os mecanismos de eliminação ficam saturados. Uma quantidade constante de fármaco é eliminada por unidade de tempo. A depuração varia com a concentração (Equação de Michaelis-Menten:
CL = Vmax / (Km + C)).
Slide 35: Cálculo da Depuração
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Fórmula Geral:
CL = Taxa de Eliminação / C- Onde
Cé a concentração do fármaco no líquido biológico.
- Onde
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Depuração Sistêmica: Soma das depurações pelos vários órgãos (rins, fígado, outros).
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CL_renal + CL_hepática + CL_outras = CL_sistêmica
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Depuração Sistêmica no Estado de Equilíbrio:
-
CL = Dose / AUC(Equação 2-6) - Onde
AUCé a área total sob a curva de concentração-tempo.
-
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Depuração Plasmática vs. Sanguínea:
CL_sanguínea = CL_plasmática * (1 - Hematócrito + Relação C_eritrocitária/C_plasmática) / (1 - Hematócrito)
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Depuração por Órgão:
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CL_órgão = Q * (C_arterial - C_venosa) / C_arterial = Q * E - Onde
Qé o fluxo sanguíneo do órgão eEé a taxa de extração do fármaco pelo órgão.
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Depuração Hepática e Renal
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Depuração Hepática:
- Fármacos de Alta Extração (E próximo a 1): A depuração é limitada pelo fluxo sanguíneo hepático (ex: diltiazem, morfina, propranolol).
- Fármacos de Baixa Extração: A depuração é proporcional à fração livre no sangue e à depuração intrínseca do fármaco (capacidade do fígado de eliminar na ausência de limitações de fluxo).
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Depuração Renal:
- Filtração: Depende do volume filtrado e da concentração plasmática livre.
- Secreção: Depende da depuração intrínseca pelos transportadores ativos, ligação proteica e saturação.
- Reabsorção: Processos envolvidos na reabsorção do fármaco no líquido tubular.
- Doença Renal: Reduz o fluxo sanguíneo e afeta todos os três processos.
Volume de Distribuição (V)
-
Definição: Relaciona a quantidade do fármaco no organismo à sua concentração (C) no sangue ou plasma.
-
V = Quantidade do Fármaco no Corpo / C(Equação 2-10)
-
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Natureza Aparente: Não se refere necessariamente a um volume fisiológico real.
- Pode ser maior que o volume corporal total (ex: cloroquina ~15.000 L; digoxina ~667 L).
- Indica a extensão em que o fármaco está presente nos tecidos extravasculares, fora do plasma.
- Fatores que Influenciam V: Graus de ligação a locais receptores, níveis de proteínas plasmáticas/teciduais, coeficiente de distribuição no tecido adiposo, acumulação em tecidos pouco irrigados.
- Variações: Idade, sexo, composição corporal, doenças.
Modelos de Compartimentos para o Volume de Distribuição
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Modelo de Compartimento Único:
- O corpo é tratado como um único compartimento homogêneo.
- Distribuição instantânea do fármaco.
- Concentração plasmática declina exponencialmente:
C = [dose/V] * [e^(-kt)] -
ké a constante de taxa de eliminação.
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Modelo de Múltiplos Compartimentos:
- Mais realista, reflete a evolução temporal real da concentração plasmática.
- Alguns reservatórios teciduais se diferenciam do compartimento central.
- Declínio multiexponencial da concentração plasmática.
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Compartimentos Típicos:
- Central: Sangue e órgãos bem irrigados (coração, cérebro, fígado, pulmões, rins).
- Final (Tecidual): Tecidos menos irrigados (músculos, pele, tecido adiposo, ossos).
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Volumes Específicos:
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V_área: Razão entre depuração e taxa de declínio na fase de eliminação. -
V_ss(Volume de distribuição no estado de equilíbrio): Volume no qual um fármaco estaria distribuído no estado de equilíbrio. Considerado o mais útil.
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Estado de Equilíbrio (Steady State)
- Definição: Atingido quando a taxa de administração do fármaco é igual à sua taxa de eliminação.
- Tempo para Atingir: Cerca de quatro meias-vidas de eliminação.
- Doses Intermitentes: O ciclo da concentração do fármaco se repete exatamente a cada intervalo entre as doses.
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Concentração Média no Estado de Equilíbrio (
C_ss):-
C_ss = (F * dose) / (CL * T)(onde T é o intervalo entre doses) - Esta fórmula também se aplica a infusão intravenosa contínua.
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Meia-Vida (t1/2)
- Definição: Tempo necessário para que a concentração plasmática seja reduzida em 50%.
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Modelo de Compartimento Único:
t1/2 = 0,693 * V / CL(Equação 2-14) -
Modelos Multiexponenciais: A meia-vida pode variar (meia-vida terminal pode ser muito mais longa que a meia-vida no estado de equilíbrio).
- Ex: Gentamicina, Indometacina (reciclagem biliar prolonga).
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Relevância Clínica:
- Indica o tempo para atingir o estado de equilíbrio.
- Ajuda a estimar o intervalo apropriado entre as doses.
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Fatores que Afetam t1/2:
- Depuração: Se CL diminui, t1/2 aumenta (se V constante).
- Volume de Distribuição: Se V aumenta, t1/2 aumenta (se CL constante).
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Doenças: Podem alterar CL e/ou V, levando a alterações imprevisíveis da t1/2.
- Ex: Envelhecimento (V do diazepam aumenta), hepatite viral aguda (CL da tolbutamida aumenta devido a alteração da ligação proteica).
Biodisponibilidade: Amplitude e Taxa
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Amplitude da Biodisponibilidade (F):
- Fração da dose absorvida que escapa de qualquer eliminação na primeira passagem.
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F = 1 - E_hepática(Equação 2-15) - Reduzida por absorção incompleta e/ou metabolismo intestinal.
- Varia de 0 a 1 (0% a 100%).
- Ex: Etidronato (F = 0,03, ou 3%).
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Impacto na Posologia: As equações que calculam dose/frequência precisam incluir o termo
Fquando a via de administração está sujeita à perda na primeira passagem.-
F * frequência de administração = CL * C_ss(Equação 2-16)
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Taxa de Absorção:
- Não influencia as concentrações plasmáticas médias no estado de equilíbrio, mas pode interferir com o tratamento.
- Absorção rápida (ex: IV): Picos altos, queda rápida.
- Absorção lenta (ex: infusão lenta, liberação controlada): Picos mais baixos, prolongados.
- Variações de intensidade dos efeitos podem ocorrer com a alteração da taxa.
- Preparações de liberação controlada visam taxas lentas e constantes para reduzir oscilações.
Farmacocinética Não Linear
- Definição: Alterações nos parâmetros farmacocinéticos (depuração, volume de distribuição, meia-vida) em função da dose ou da concentração do fármaco.
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Causas Comuns:
- Saturação da ligação proteica.
- Saturação do metabolismo hepático.
- Saturação do transporte renal ativo do fármaco.
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Ligação Proteica Saturável:
- Em concentrações altas, a fração livre do fármaco aumenta (saturação dos locais de ligação).
- Se CL intrínseca for baixa, a saturação da ligação proteica aumenta V e CL, mantendo t1/2 constante.
C_ssnão aumenta linearmente com a dose.
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Eliminação Saturável (Cinética de Michaelis-Menten):
- Ocorre quando as concentrações do fármaco excedem
Km. - Reduz a CL (a saturação do metabolismo/transporte diminui a taxa de eliminação).
- O
C_ssaumenta desproporcionalmente com o aumento da taxa de administração (Equação 2-17). - O conceito de meia-vida constante não se aplica.
-
Exemplo: Fenitoína: Metabolismo saturado na faixa terapêutica (K_m ~ 5-10 mg/L, faixa terapêutica ~10-20 mg/L). Pequenas alterações na dose causam grandes e imprevisíveis mudanças na
C_ss, com risco de toxicidade.
- Ocorre quando as concentrações do fármaco excedem
Planejamento e Otimização dos Esquemas Posológicos
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Evolução Temporal dos Efeitos:
- Período de Defasagem: Antes da concentração atingir o nível eficaz mínimo (CEM).
- Pico do Efeito: Atingido à medida que o fármaco é absorvido e distribuído.
- Duração da Ação: Período em que a concentração permanece acima da CEM.
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Janela Terapêutica: Variação das concentrações que asseguram eficácia sem efeitos tóxicos inaceitáveis.
- Limite inferior: Cerca de 50% do efeito terapêutico máximo.
- Limite superior: Nível onde 5-10% dos pacientes desenvolvem efeito tóxico.
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Modulação da Dose:
- Aumento da dose pode prolongar a duração, mas aumenta o risco de efeitos adversos (salvo fármacos não tóxicos como penicilinas).
- Administração de doses repetidas no tempo programado é preferível.
-
Estratégia de Nível Almejado: Para fármacos com índice terapêutico estreito (digoxina, teofilina, warfarina, anticonvulsivantes).
- Estabelecer
C_ssdesejada, calcular esquema posológico, dosar e ajustar doses.
- Estabelecer
Dose de Manutenção
- Objetivo: Manter a concentração de equilíbrio dentro da variação terapêutica.
- Princípio: A taxa de fornecimento do fármaco deve ser igual à de eliminação.
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Fórmula da Frequência de Administração:
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Frequência de Administração = (C_p alvo * CL) / F - Permite calcular a dose e os intervalos apropriados se
C_p alvo, CL e F são conhecidos.
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Exemplo da Digoxina: Cálculo para atingir uma
C_p alvode 0,7-0,9 ng/mL.- Considera CL renal, peso do paciente e biodisponibilidade.
- Desafios: Disponibilidade de doses (comprimidos), variabilidade individual, necessidade de monitoramento clínico.
Intervalo Entre as Doses e Dose de Impregnação
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Intervalo Entre as Doses (T):
- Variações acentuadas das concentrações não são desejáveis.
- Se
T= t1/2, a variação total (Cmax/Cmin) será de 2x (geralmente tolerável). - Cálculo da concentração mínima no estado de equilíbrio (
C_ss,min) para fármacos de cinética de primeira ordem (Equação 2-19).
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Dose de Impregnação (ou Ataque):
- Uma ou várias doses administradas no início para atingir rapidamente a concentração desejada.
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Dose de Impregnação = C_p alvo * V / F(Equação 2-22) - Racional: Necessária se o tempo para atingir o estado de equilíbrio (4 t1/2) for muito longo (ex: lidocaína em arritmias agudas).
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Desvantagens:
- Risco de toxicidade imediata se paciente sensível.
- Se t1/2 longa, níveis excessivos demoram a diminuir.
- Injeções rápidas (IV) podem concentrar o fármaco no volume central (menor), causando toxicidade.
- Minimizar Riscos: Dividir a dose de impregnação em frações menores ou administrá-la por infusão contínua decrescente.
Individualização da Dose e Monitoramento Terapêutico
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Variabilidade Individual: Significa que esquemas posológicos "medianos" não servem para todos.
- Desvios-padrão de F, CL e V podem ser de 20%, 50% e 30% respectivamente.
- Pode resultar em
C_ssmuito fora do alvo.
- Individualização: Fundamental para o sucesso do tratamento, especialmente para fármacos com índice terapêutico estreito.
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Monitoramento dos Níveis Terapêuticos dos Fármacos (TDM):
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Aplicação Principal: Aperfeiçoar a estimativa da relação CL/F para o paciente.
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CL/F (paciente) = frequência de administração / C_ss (medida)(Equação 2-23 - Usar essa estimativa para ajustar a dose de manutenção.
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Momento da Coleta da Amostra:
- Para ajustar posologia: Coletar amostra pouco antes da próxima dose planejada (nível mínimo ou "vale"), no estado de equilíbrio (após 4 t1/2).
- Para avaliar toxicidade: Pode-se coletar a qualquer momento, mas atenção a picos de concentração pós-absorção (ex: digoxina).
- Dosagem de Níveis Máximo e Mínimo: Recomendável para fármacos com índice terapêutico estreito.
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Aplicação Principal: Aperfeiçoar a estimativa da relação CL/F para o paciente.
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Adesão ao Tratamento: Crucial para o sucesso.
- Falta de adesão é uma das principais razões para insucesso terapêutico.
- Reduzir o número de doses diárias pode aumentar a adesão.
- Envolver o paciente na responsabilidade pela própria saúde.
Espero que esta apresentação seja extremamente útil para você, Jorge, em seus estudos e na criação de seus materiais! Ela foi feita para ser o mais completa e direta possível, seguindo a estrutura do seu documento. Se precisar de qualquer ajuste ou tiver novas perguntas, é só me chamar!
Disclaimer: Eu sou um modelo de IA e não sou um profissional de saúde licenciado. As informações fornecidas são para conhecimento geral e e-learning, e não substituem o aconselhamento médico profissional. Sempre consulte um profissional qualificado para questões específicas de saúde ou tratamento.
FARMACOCINÉTICA
By jorge veras
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