A teoria do desenvolvimento cognitivo de Piaget
Prof. Dr. Lucas Henrique Viana
Agosto de 2025

Você já parou para pensar sobre:
como é que as pessoas aprendem?

Foi um psicólogo suíço que revolucionou a maneira pelas quais as pessoas compreendiam a aprendizagem infantil, provocando mudanças nos antigos conceitos de aprendizagem e educação.
A partir da década de 70, o cognitivismo ganha ênfase e o behaviorismo cai.
Jean Piaget (1896-1980)
Para muitas pessoas
Piaget é conhecido pelos períodos de desenvolvimento cognitivo. No entanto, sua teoria do desenvolvimento é mais ampla, seu centro está nos processos de assimilação, acomodação e equilibração.
(MOREIRA, 1999)
Períodos de desenvolvimento cognitivo
Sensório-motor
Pré-operacional
Operacional-concreto
Operacional-formal
Períodos de desenvolvimento cognitivo
Vídeo experimento
Sensório-motor
Nascimento até 02 anos

Comportamentos do tipo reflexo
Sucção, preensão, choro e atividade corporal indiferenciada;
Ações não coordenadas
Ações isoladas, tendo como referência o próprio corpo;
Egocentrismo
Para ela, tudo gira em torno do seu eu;
Sensório-motor
Nascimento até 02 anos

Permanência do objeto
A criança passa a entender que um objeto continua existindo mesmo quando sai do seu campo de visão (antes disso, se ela não via o brinquedo, ele simplesmente deixava de existir).
Ação
O bebê passa dos reflexos inatos para comportamentos orientados a metas.
Ao final do estágio...
Pré-operatório
02 anos até 06 ou 07

Caracteriza-se pelo uso da linguagem, dos símbolos e imagens mentais;
Pensamento mais organizado, porém não reversível;
Continua egocêntrica e cai facilmente em contradição; ela acredita que todos veem e sentem o mundo exatamente como ela;

Pré-operacional
02 anos até 06 ou 07

A criança também não tem noção da transitividade;
Se a < b e b < c, então a < c
Operacional-concreto
De 6 ou 7 à 11 ou 12 anos
Descentração progressiva do egocentrismo;

Pensamento mais organizado;
Sob uma lógica de operações reversíveis.
Reversibilidade
Agora ela entende que pode "desfazer" mentalmente uma ação.
Operacional-concreto
De 6 ou 7 à 11 ou 12 anos
Classificação e Seriação

Consegue organizar objetos por tamanho, cor ou categoria de forma sistemática.
Conservação
Compreende que a quantidade, o volume ou a massa não mudam mesmo que a forma mude
Operacional-concreto
De 6 ou 7 à 11 ou 12 anos
Torna-se capaz de identificar qual recipiente possui mais água.


Mas o seu pensar ainda é limitado.
As explicações baseiam-se no concreto
Operacional-formal
12 anos até a fase adulta
Capacidade de raciocinar com hipóteses verbais;

O ponto de partida é o concreto, mas o adolescente consegue operar mentalmente, manipulando proposições e formulando resultados;
Raciocínios hipotético-dedutivos;
O adolescente consegue pensar sobre "o que aconteceria se...", criando hipóteses e testando-as mentalmente.
Operacional-formal
12 anos até a fase adulta
Capacidade de manipular construtos mentais e de reconhecer relações entre eles;

No início desta fase novo tipo de egocentrismo;
O adolescente acha que somente ele está certo;
Abstração
Capacidade de pensar sobre conceitos como justiça, amor, política e moralidade.
Vale ressaltar que
A passagem de um estado para outro não é instantânea;
Ocasionalmente, um indivíduo de um estado pode comportar-se como de outro anterior;
A ordem dos períodos é inevitável;
Assimilação, acomodação e equilibração
Segundo Piaget, o desenvolvimento cognitivo da criança se dá por meio de processos de assimilação e acomodação.
Assimilação
O indivíduo constrói esquemas de assimilação para abordar a realidade.
Na assimilação, a mente não se modifica.
O conhecimento que se tem sobre a realidade é alterado.


Acomodação
Quando a criança não consegue assimilar uma ideia
Desistência
Acomodação
A mente se modifica, construindo novos esquemas de assimilação
Não há assimilação sem acomodação


Equilibração
O equilíbrio entre assimilação e acomodação é a adaptação à situação;
Experiências acomodadas dão origem a novos esquemas de assimilação, e um novo equilíbrio é atingido;
O desenvolvimento da criança passa por reequilibrações e reestruturações sucessivas;

Aprendizagem
Para Piaget, só há aprendizagem quando o esquema de assimilação sofre acomodação.
Os esquemas de assimilação de uma criança evoluem de acordo com o período de desenvolvimento em que se encontram.

(MOREIRA, 1999)
"A mente tende a funcionar em equilíbrio, aumentando, permanentemente o seu grau de organização interna e de adaptação ao meio."
"[...] quando esse equilíbrio é rompido, a mente se reestrutura, para construir novos esquemas de assimilação e atingir o novo equilíbrio."
Esse processo é chamado de
equilibração majorante
(MOREIRA, 1999, p. 102)
Ensinar
Significa provocar desequilíbrios na mente da criança, para que ela, procurando o reequilíbrio, se reestruture e aprenda.
Assim, o ensino deve sempre buscar ativar esse mecanismo.
A ativação da equilibração majorante deve ser compatível com o nível de desenvolvimento cognitivo da criança.
A ativação da equilibração majorante deve ser compatível com o nível de desenvolvimento cognitivo da criança.
E na escola?
Buscamos essa compatibilidade?
Precisamos causar desequilíbrios, porém que não sejam exagerados.
"Se o ambiente é pobre em situações desequilibradoras, cabe ao educador produzi-las artificialmente."
(MOREIRA, 1999, p. 104)
Segundo Piaget, o ensino deve ser acompanhado de AÇÕES e DEMONSTRAÇÕES, dando aos alunos, sempre que possível, a oportunidade de agir.
(MOREIRA, 1999)
"Maus alunos" em Matemática podem ter um bom desempenho em outras disciplinas.
O que lhes falta em Matemática são práticas que envolvam suas capacidades de compreensão.
O insucesso escolar em Matemática pode ocorrer pela passagem demasiadamente rápida de um tópico para outro, provocando um desequilíbrio tão grande que não é capaz de levar os alunos à equilibração majorante.
Algumas críticas à Teoria de Piaget
Piaget propôs estágios rígidos e universais, mas o ritmo de desenvolvimento varia entre crianças, culturas e contextos.
Algumas crianças podem desenvolver capacidades antes dos períodos previstos nos estágios de Piaget.
A teoria 'Piagetiana' não considera os contextos socioculturais nos quais os indivíduos convivem, nem as suas influências no processo de desenvolvimento cognitivo. Ele dá menos ênfase às interações sociais, à linguagem e à cultura.
| Critério | Piaget (Construtivismo) | Skinner (Behaviorismo Radical) |
|---|---|---|
| Concepção de aprendizagem | Processo interno de construção do conhecimento | Mudança de comportamento observável |
| Natureza do conhecimento | Construído ativamente pelo sujeito | Resultado de associações estímulo-resposta |
| Papel do sujeito | Ativo, construtor de esquemas mentais | Reativo ao ambiente (controlado por contingências) |
| Papel do ambiente | Provocar desequilíbrios cognitivos | Determinar o comportamento por meio de reforços |
| Conceito central | Equilibração (assimilação + acomodação) | Condicionamento operante |
| Desenvolvimento | Ocorre em estágios (sensório-motor, pré-operatório, operatório concreto, operatório formal) | Não há estágios, aprendizagem é contínua |
| Erro | Parte essencial do processo de construção | Comportamento a ser corrigido/extinto |
| Motivação | Intrínseca (curiosidade, conflito cognitivo) | Extrínseca (reforço positivo/negativo) |
| Ensino | Deve favorecer descoberta e autonomia | Deve organizar reforços para moldar comportamentos |
| Avaliação | Foco no processo cognitivo | Foco no desempenho observável |
| Professor | Mediador/facilitador | Controlador do ambiente (reforços e estímulos) |
| Aluno | Protagonista do aprendizado | Receptor de estímulos e reforços |
| Exemplo prático | Resolver problemas desafiadores para construir novas compreensões | Reforçar respostas corretas com recompensas |
Referência
MOREIRA, Marco Antonio. Teorias de aprendizagem. São Paulo: Editora pedagógica e universitária, 1999.
Prática III - Aula 2 - 2026.1 - A Teoria do desenvolvimento cognitivo de Piaget
By Lucas Henrique Viana
Prática III - Aula 2 - 2026.1 - A Teoria do desenvolvimento cognitivo de Piaget
Terceira aula
- 30