MODULADORES DA COAGULAÇÃO SANGUÍNEA
Fármacos Anticoagulantes, Fibrinolíticos e Antiplaquetários
Jeffrey I. Weitz
Introdução e Visão Geral da Hemostasia
- Sistemas Fisiológicos: Complexos e sofisticados, controlam a fluidez do sangue.
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Equilíbrio Delicado: Entre coagulação e fibrinólise.
- Impede trombose (formação de coágulos).
- Impede hemorragias (sangramento excessivo).
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Trombos: Agregados de plaquetas, fibrina e células vermelhas.
- Podem se formar em artérias ou veias.
-
Fármacos Antitrombóticos: Visam etapas principais da formação do coágulo.
- Antiplaquetários: Inibem ativação/agregação plaquetária.
- Anticoagulantes: Atenuam a formação da fibrina.
- Fibrinolíticos: Degradam a fibrina (trombolíticos).
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Risco Comum: Todos os fármacos antitrombóticos aumentam o risco de sangramento.
- A toxicidade é uma extensão dos efeitos terapêuticos.
Funções das Plaquetas, Coagulação Sanguínea e Fibrinólise
- Hemostasia: Cessação da perda de sangue de um vaso lesado.
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Etapas Iniciais:
- Adesão Plaquetária: Plaquetas aderem a macromoléculas no subendotélio exposto.
- Ativação Plaquetária: Plaquetas aderentes liberam substâncias que recrutam e ativam plaquetas próximas.
- Agregação Plaquetária: Plaquetas ativadas se agregam para formar o tampão hemostático primário.
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Coagulação:
- Lesão na parede do vaso expõe Fator Tecidual (FT), iniciando o sistema de coagulação.
- Plaquetas ativadas fornecem superfície e fatores para a explosão de geração de trombina.
- Trombina (Fator IIa): Converte fibrinogênio em fibrina, que reforça o agregado plaquetário e o prende.
- Trombina também amplifica a ativação e agregação plaquetária.
- Fibrinólise: Sistema que remove o coágulo à medida que a ferida cicatriza, restaurando a fluidez do sangue.
O Processo de Coagulação Sanguínea
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Cascata de Ativação: Série de reações de ativação de zimogênios (proteínas precursoras inativas).
- Um zimogênio é convertido em protease ativa por clivagem de ligações peptídicas.
- Componentes de cada etapa: protease do estágio anterior, zimogênio, cofator proteico não enzimático, Ca2+, e uma superfície organizadora (plaquetas ativadas in vivo).
- Produto Final: Trombina.
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Conversão de Fibrinogênio em Fibrina:
- Trombina libera fibrinopeptídeos A e B do fibrinogênio.
- Monômeros de fibrina se ligam e formam um gel de fibrina.
- Fator XIIIa: Catalisa ligações cruzadas covalentes entre monômeros de fibrina, aumentando a força do coágulo.
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Fatores de Coagulação: Fatores II (protrombina), VII, IX, X, XI, XII e pré-calicreína.
- Resíduos de γ-carboxiglutamato (Gla) são cruciais para ligação ao Ca2+ e atividade.
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Cofatores Proteicos Não Enzimáticos:
- Fatores V e VIII: Atuam na superfície de plaquetas ativadas, potencializando a ativação de outros fatores.
- Fator Tecidual (FT): Inicia a coagulação na via extrínseca.
- Cininogênio de alto peso molecular: Cofator que acelera ativação de fatores XII e XI.
Vias de Coagulação e Fibrinólise
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Início da Coagulação: FT exposto nos locais de lesão inicia via extrínseca.
- Pequena quantidade de Fator VIIa circulante se liga ao FT, ativando Fatores X e IX.
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Via Intrínseca: Desencadeada in vitro por contato com superfícies carregadas negativamente.
- Fator XII ativa Fator XI, que ativa Fator IX.
- Fator IXa (acelerado pelo Fator VIIIa) ativa Fator X.
- Complexo Fator IXa-Fator VIIIa é crucial para geração eficiente de trombina.
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Fibrinólise: Sistema que dissolve a fibrina intravascular pela ação da plasmina.
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Ativadores de Plasminogênio: Convertem plasminogênio inativo em plasmina ativa.
- t-PA (ativador de plasminogênio tecidual): Principal em fibrinólise intravascular, liberado por células endoteliais.
- u-PA (urocinase): Mais ativo em fibrinólise extravascular.
- Plasmina: Degrada a fibrina.
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Regulação: Inibidores do ativador do plasminogênio (IAP-1, IAP-2) e α2-antiplasmina.
- A fibrina protege a plasmina da inibição por α2-antiplasmina.
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Ativadores de Plasminogênio: Convertem plasminogênio inativo em plasmina ativa.
Coagulação In Vitro e Mecanismos Anticoagulantes Naturais
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Testes de Coagulação:
- Tempo de Tromboplastina Parcial Ativada (TTPa): Mede a via intrínseca e comum. Prolongado indica defeito na via intrínseca.
- Tempo de Protrombina (TP): Mede a via extrínseca e comum. Prolongado indica defeito na via extrínseca.
- Relação Normalizada Internacional (RNI): Padroniza o TP para monitoramento de varfarina.
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Mecanismos Anticoagulantes Naturais (Endoteliais):
- Óxido Nítrico e Prostaciclina (PGI2): Induzem vasodilatação, inibem ativação/agregação plaquetária.
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Antitrombina: Proteína plasmática que inibe proteases da coagulação (Fator IIa, IXa, Xa).
- Potencializada por heparan sulfato (na superfície endotelial).
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Proteína C: Zimogênio ativado pela trombina ligada à trombomodulina (na superfície endotelial).
- Proteína C ativada (com proteína S) degrada Fatores Va e VIIIa, subregulando a geração de trombina.
- Inibidor da Via do Fator Tecidual (IVFT): Inibe o Fator Xa e o complexo Fator VIIa-FT.
ANTICOAGULANTES PARENTERAIS: Heparina e Derivados
- Fármacos: Heparina, Heparinas de Baixo Peso Molecular (HBPMs), Fondaparinux.
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Bioquímica da Heparina: Glicosaminoglicano encontrado em mastócitos.
- Extraída da mucosa intestinal suína.
- Unidades USP vs. Ensaio do Antifator Xa (harmonizados em 2009).
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Derivados da Heparina:
- HBPMs: Fragmentos de heparina (ex: daltaparina, enoxaparina, tinzaparina).
- Fondaparinux: Análogo sintético de pentassacarídeo.
Comparação das Características da Heparina, HBPM e Fondaparinux
CARACTERÍSTICASHEPARINAHBPMFONDAPARINUX
| Fonte | Biológica | Biológica | Sintética |
| Peso molecular (Da) | 15.000 | 5.000 | 1.500 |
| Alvo | Xa e IIa | Xa e IIa | Xa |
| Biodisponibilidade (%) | 30 | 90 | 100 |
| Meia-vida (h) | 1 | 4 | 17 |
| Excreção renal | Não | Sim | Sim |
| Efeito antídoto | Completo | Parcial | Nenhum |
| Trombocitopenia | < 5% | < 1% | < 1% |
Heparina e Derivados - Mecanismo de Ação
- Ação Indireta: Não possuem atividade anticoagulante intrínseca.
-
Potencialização da Antitrombina:
- Ligam-se à antitrombina (AT), acelerando sua taxa de inibição de várias proteases da coagulação (principalmente trombina - Fator IIa, e Fator Xa).
- Heparina: Liga-se à AT via sequência pentassacarídica específica, induzindo mudança conformacional. Atua como molde catalítico, ligando AT e trombina (necessita de pelo menos 18 unidades de sacarídeos). Inibe Fator Xa e trombina em extensão semelhante (proporção anti-Xa:anti-IIa de 1:1).
- HBPMs: Induzem mudança conformacional na AT que acelera a inibição do Fator Xa. Moléculas menores não conseguem ligar AT e trombina simultaneamente. Maior atividade antifator Xa do que anti-IIa (proporção 3:1 a 2:1).
- Fondaparinux: Apenas atividade antifator Xa, pois é pequeno demais para ligar AT e trombina.
- Catalisadores: Heparina, HBPMs e fondaparinux se dissociam após formar complexos estáveis e catalisam outras moléculas de antitrombina.
- Fator Plaquetário 4: Inativa a heparina. HBPMs e fondaparinux possuem menor afinidade, mantendo mais atividade próxima aos trombos.
Heparina e Derivados - Farmacocinética e Uso Clínico
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Administração: Parenteral (não absorvidos via GI).
- Heparina: Infusão IV contínua ou intermitente, ou SC. Ação imediata IV. Biodisponibilidade variável SC.
- HBPMs e Fondaparinux: Absorção mais uniforme SC.
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Meia-vida:
- Heparina: Variável com a dose (1-5h). Depuração reticuloendotelial.
- HBPMs (4-6h) e Fondaparinux (17h): Depurados predominantemente pelos rins.
- Contraindicados em insuficiência renal grave (depuração de creatinina < 30 mL/min).
-
Uso Clínico:
- Tratamento inicial de trombose venosa e embolia pulmonar (rápido início de ação).
- Administrados por pelo menos 5 dias junto com varfarina (até a varfarina atingir efeito).
- Angina instável, infarto agudo do miocárdio.
- HBPMs/Fondaparinux: Vêm substituindo heparina IV pela conveniência (SC 1-2x/dia, doses fixas sem monitoramento de coagulação).
- Heparina IV: Requer monitoramento frequente do TTPa (alvo: 2-3x o valor normal).
- Angioplastia coronariana: Heparina e HBPMs (fondaparinux não usado por risco de trombose no cateter).
- Cirurgia de revascularização cardiopulmonar: Heparina (neutralizável com protamina).
- Gravidez: Heparina, HBPMs, fondaparinux não atravessam placenta.
- Idraparinux: Derivado de longa ação (meia-vida 80h), semanal. Idrabiotaparinux (antídoto avidina).
- Resistência à Heparina: Variação nas concentrações de proteínas de ligação à heparina ou aceleração da depuração.
Heparina e Derivados - Toxicidade e Antídotos
-
Sangramento: Principal efeito adverso (1-5% com heparina IV).
- Revertido pela sulfato de protamina (polipeptídeos do esperma de salmão).
- Liga-se à heparina, neutralizando-a. Dose: 1 mg protamina para cada 100 UI de heparina.
- Reverte completamente a atividade anti-IIa das HBPMs, mas apenas parcialmente a anti-Xa.
- Não tem efeito sobre o fondaparinux.
- Pode causar reações anafiláticas e vasoconstrição pulmonar.
- Revertido pela sulfato de protamina (polipeptídeos do esperma de salmão).
-
Trombocitopenia Induzida por Heparina (TIH):
- Queda de plaquetas < 150.000/mL ou 50% em relação ao pré-tratamento (0,5% dos pacientes, 5-10 dias após início).
- Pode levar a complicações trombóticas graves (venosas ou arteriais).
- Causada por anticorpos IgG contra complexos heparina/Fator Plaquetário 4.
- Tratamento: Interromper imediatamente heparina/HBPM. Usar anticoagulante alternativo (lepirudina, argatrobana, fondaparinux). Evitar HBPMs.
-
Outras Toxicidades:
- Elevação discreta de transaminases hepáticas.
- Osteoporose (com doses altas de heparina >20.000 UI/dia por 3-6 meses). Menor risco com HBPMs/fondaparinux.
- Hiperpotassemia (inibição da síntese de aldosterona).
OUTROS ANTICOAGULANTES PARENTERAIS (Inibidores Diretos da Trombina)
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Lepirudina:
- Derivado recombinante da hirudina (inibidor direto da trombina da sanguessuga).
- Liga-se ao sítio catalítico e de reconhecimento de substrato da trombina.
- Uso: TIH.
- Meia-vida 1,3h (renal). Cuidado em insuficiência renal. Não tem antídoto.
-
Desirudina:
- Derivado recombinante da hirudina.
- Uso: Profilaxia de TVP em cirurgia de substituição de quadril.
- Eliminação renal, meia-vida 2h.
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Bivalirudina:
- Polipeptídeo sintético (20 aminoácidos), inibe diretamente a trombina.
- Uso: Angioplastia coronariana (alternativa à heparina), incluindo pacientes com TIH.
- Meia-vida 25 min (renal).
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Argatrobana:
- Composto sintético, liga-se reversivelmente ao sítio catalítico da trombina.
- Uso: TIH.
- Meia-vida 40-50 min. Metabolismo hepático (CYPs). Ajuste em insuficiência hepática.
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Alfadrotrecogina:
- Proteína C ativada humana recombinante. Inibe Fatores Va e VIIIa.
- Uso: Sepse grave (reduz mortalidade).
- Principal efeito adverso: Sangramento.
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Antitrombina:
- Antitrombina humana recombinante (produzida no leite de cabras).
- Uso: Anticoagulante para pacientes com deficiência hereditária de antitrombina submetidos a cirurgia.
ANTICOAGULANTES ORAIS: Varfarina
- História: Descoberta a partir de doença hemorrágica em gado (dicumarol). Varfarina sintetizada em 1948, reconhecida como terapêutico em 1951.
- Química: Derivado da 4-hidroxicumarina.
-
Mecanismo de Ação (Figura 30-7): Antagonista da vitamina K.
- Os Fatores II, VII, IX, X e as Proteínas C e S requerem γ-carboxilação de resíduos de glutamato para serem biologicamente ativos (ligação ao Ca2+).
- Essa reação depende da vitamina K reduzida (hidroquinona).
- A varfarina inibe a enzima vitamina K epóxido redutase (VKOR), que regenera a vitamina K reduzida a partir de seu epóxido oxidado.
- Resulta em produção de fatores de coagulação subcarboxilados e inativos.
- Não afeta moléculas já carboxiladas em circulação.
- Início de Ação: Lento, depende das meias-vidas dos fatores de coagulação (Fator VII 6h, Fator II 50h). Efeito antitrombótico total após vários dias.
Varfarina - Farmacocinética e Farmacogenética
- Absorção: Quase completa via oral. Detecção no plasma em 1h, picos em 2-8h.
- Distribuição: 99% ligada a proteínas plasmáticas (albumina). Atravessa a placenta.
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Biotransformação e Eliminação:
- Mistura racêmica de enantiômeros R e S. S-varfarina (3-5x mais potente).
- S-varfarina metabolizada principalmente pela CYP2C9.
- Metabólitos inativos excretados na urina e fezes.
- Meia-vida 25-60h (média 40h). Duração de ação 2-5 dias.
-
Polimorfismos Genéticos (Quadro 30-2):
- CYP2C9: Variantes (*2 e *3) codificam enzima com atividade reduzida → maiores concentrações do fármaco → redução das exigências de dose.
- VKORC1 (subunidade 1 da vitamina K epóxido redutase): Variantes afetam a suscetibilidade da enzima à inibição pela varfarina.
- Ambos explicam grande parte da variabilidade na resposta e dose necessária.
- FDA recomenda considerar doses menores em pacientes com essas variações.
Frequências dos Genótipos CYP2C9 e Haplótipos de VKORC1
| GENÓTIPO/HAPLÓTIPO | BRANCOS (FREQUÊNCIA %) | AFRO-AMERICANOS (FREQUÊNCIA %) | ASIÁTICOS (FREQUÊNCIA %) | REDUÇÃO DA DOSE COMPARADA COM O TIPO SELVAGEM (%) |
|---|---|---|---|---|
| CYP2C9 | ||||
| *1/*1 | 70 | 90 | 95 | |
| *1/*2 | 17 | 2 | 0 | 22 |
| *1/*3 | 9 | 3 | 4 | 34 |
| *2/*2 | 2 | 0 | 0 | 43 |
| *2/*3 | 1 | 0 | 0 | 53 |
| *3/*3 | 0 | 0 | 1 | 76 |
| VKORC1 | ||||
| Não A/Não A | 37 | 82 | 7 | |
| Não A/A | 45 | 12 | 30 | 26 |
| A/A | 18 | 6 | 63 | 50 |
Varfarina - Interações e Toxicidade
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Interações Medicamentosas: Inúmeras! Qualquer substância ou condição que altere:
- Captação/metabolismo da varfarina ou vitamina K.
- Síntese/função/depuração de fatores de coagulação ou células da hemostasia.
- Integridade de superfícies epiteliais.
- Reduzem efeito: Colestiramina, indutores de enzimas hepáticas (barbitúricos, carbamazepina, rifampicina), vitamina K dietética.
- Aumentam risco de sangramento: Inibidores de CYP2C9 (amiodarona, antifúngicos azóis, cimetidina, clopidogrel, fluoxetina), deslocamento de proteínas (diuréticos de alça), deficiência de vitamina K (dieta inadequada, antibióticos).
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Toxicidade - Sangramento: Principal toxicidade. Risco aumenta com intensidade/duração da terapia e outras medicações.
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Tratamento de superdosagem/sangramento:
- RNI elevado sem sangramento: Interromper varfarina, reiniciar com dose menor.
- RNI 5-9: Vitamina K oral (1-2,5 mg).
- RNI > 9: Vitamina K oral (3-5 mg).
- Sangramento grave/RNI > 20: Plasma fresco congelado + Vitamina K IV (10 mg).
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Tratamento de superdosagem/sangramento:
- Defeitos Congênitos: Contraindicada na gravidez (hipoplasia nasal, calcificações epifisárias, malformações do SNC, hemorragia fetal).
- Necrose Cutânea: Rara complicação, 3-10 dias após início, por desequilíbrio entre Proteína C (curta meia-vida) e fatores pró-coagulantes.
- Síndrome do dedo do pé púrpura: Coloração azulada nos dedos.
Varfarina - Uso Clínico e Monitoramento
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Uso Clínico:
- Impedir progressão/recorrência de TVP aguda ou embolia pulmonar (após heparina).
- Prevenção de tromboembolia venosa (cirurgia ortopédica/ginecológica).
- Isquemia coronariana recorrente (IAM).
- Embolização sistêmica (próteses valvares cardíacas, fibrilação atrial crônica).
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Monitoramento da Terapia:
- RNI (Relação Normalizada Internacional): Padroniza o TP (Tempo de Protrombina).
- Fórmula: RNI = (TP do Paciente / TP Normal) ^ ISI.
- ISI (Índice de Sensibilidade Internacional): Fornecido pelo fabricante do reagente.
- Faixa Terapêutica: Maioria das indicações 2-3. Próteses mecânicas de alto risco 2,5-3,5.
- Início da Terapia: Medidas frequentes de RNI. Após estabilização, mensal.
- Transição de Heparina: Manter heparina/derivado por 5 dias e até RNI em faixa terapêutica por 2 dias consecutivos.
- Resistência à Varfarina: Necessidade de >20 mg/dia. Causas: ingestão excessiva de vitamina K, má adesão, mutações no VKORC1.
- Sensibilidade à Varfarina: Necessidade de <1,5 mg/dia. Causas: alelos variantes de CYP2C9 ou VKORC1.
Outros Antagonistas da Vitamina K e Novos Anticoagulantes Orais (NOACs)
-
Outros Antagonistas da Vitamina K:
- Femprocumona: Meia-vida mais longa (5 dias) que varfarina. Uso na Europa.
- Acenocumarol: Meia-vida mais curta (10-24h). Uso na Europa.
- Derivados da Indandiona (Anisindiona): Ações semelhantes à varfarina, mas mais efeitos adversos.
- Rodenticidas (Bromadiolona, Brodifacum): Ação longa, podem requerer altas doses de vitamina K.
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Novos Anticoagulantes Orais (NOACs): Desenvolvidos para substituir a varfarina, simplificando o tratamento (doses fixas sem monitoramento da coagulação).
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Etexilato de Dabigatrana: Pró-fármaco, inibidor direto e reversível da trombina.
- Biodisponibilidade oral 6%, meia-vida 12-14h.
- Uso: Profilaxia de tromboembolia venosa (após cirurgia), prevenção de AVE em fibrilação atrial.
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Rivaroxabana: Inibidor oral do Fator Xa.
- Biodisponibilidade 80%, meia-vida 7-11h.
- Uso: Profilaxia de trombos (após cirurgia), tratamento de tromboembolismo venoso.
- Outros em Desenvolvimento: Apixabana, edoxabana, betrixabana (inibidores de Fator Xa); AZD0837 (inibidor da trombina).
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Etexilato de Dabigatrana: Pró-fármaco, inibidor direto e reversível da trombina.
AGENTES FIBRINOLÍTICOS
- Mecanismo: Ativam plasminogênio para converter em plasmina, que digere a fibrina.
- α2-Antiplasmina: Glicoproteína que inativa a plasmina. Ocorre "estado lítico sistêmico" se esgotada.
- Plasminogênio: Glicoproteína que se liga à fibrina por domínios kringle.
- Estreptocinase: Proteína bacteriana que forma complexo com plasminogênio, ativando-o. (Uso clínico raro atualmente).
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Ativador de Plasminogênio Tecidual (t-PA):
- Serina protease. Ativador fraco na ausência de fibrina.
- Liga-se à fibrina, aumentando a ativação do plasminogênio em 300x.
- Depuração hepática, meia-vida 5 min.
- t-PA (Alteplase): Produzido por DNA recombinante. Uso: Trombólise coronariana (IM), AVE isquêmico agudo.
- Variantes recombinantes: Reteplase, Tenecteplase (meias-vidas aumentadas, permitem injeção IV em bolo).
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Toxicidade Hemorrágica: Principal toxicidade. Resulta da lise da fibrina em tampões hemostáticos e do estado lítico sistêmico.
- Hemorragia intracraniana (0,3% com t-PA).
- Contraindicações (Quadro 30-3): Hemorragia intracraniana prévia, AVCI em 3 meses, sangramento ativo, trauma recente, PA não controlada.
INIBIDORES DA FIBRINÓLISE
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Ácido Aminocaproico:
- Análogo da lisina, compete pelos locais de ligação da lisina no plasminogênio e plasmina.
- Bloqueia a interação da plasmina com a fibrina.
- Uso: Reduzir sangramento após cirurgia de próstata ou extrações dentárias em hemofílicos.
- Efeito: Trombos formados não sofrem lise.
- Toxicidade: Miopatia, necrose muscular.
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Ácido Tranexâmico:
- Análogo da lisina, mecanismo semelhante ao ácido aminocaproico.
- Uso: Sangramento menstrual intenso.
FÁRMACOS ANTIPLAQUETÁRIOS
- Mecanismo Geral: Inibem a função plaquetária (adesão, ativação, agregação).
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Ácido Acetilsalicílico (AAS):
- Inibe COX-1 plaquetária (irreversivelmente) → bloqueia produção de TxA2 (tromboxano A2), um potente indutor da agregação.
- Ação permanente (7-10 dias), pois plaquetas não sintetizam novas proteínas.
- Dose efetiva antitrombótica: 50-320 mg/dia.
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Dipiridamol:
- Aumenta AMP cíclico plaquetário (inibe fosfodiesterases, bloqueia captação de adenosina).
- Pouco benefício como agente antitrombótico isolado. Usado com varfarina ou AAS (eficácia questionável).
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Tienopiridinas (Ticlopidina, Clopidogrel, Prasugrel):
- Inibem (irreversivelmente) o receptor P2Y12 de ADP nas plaquetas.
- Ticlopidina: Pró-fármaco. Efeitos adversos: neutropenia, Púrpura Trombocitopênica Trombótica (PTT-SHU). Largamente substituída pelo clopidogrel.
- Clopidogrel: Pró-fármaco. Menos tóxico que ticlopidina. Variabilidade na resposta (polimorfismos CYP2C19). Uso com AAS pós-angioplastia/stent.
- Prasugrel: Pró-fármaco. Início de ação mais rápido e inibição mais previsível que clopidogrel. Mais eficaz, mas maior risco de sangramento. Contraindicado em AVE prévio.
FÁRMACOS ANTIPLAQUETÁRIOS (Inibidores GPIIb/IIIa e Novos Agentes)
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Inibidores da Glicoproteína IIb/IIIa (GP IIb/IIIa):
- GP IIb/IIIa (ou αIIbβ3) é receptor de fibrinogênio e FvW nas plaquetas ativadas.
- Inibição bloqueia a via final comum da agregação plaquetária.
- Características dos Antagonistas GPIIb/IIIa:
CARACTERÍSTICAABCIXIMABEEPTIFIBATIDATIROFIBANA
| Descrição | Fragmento Fab de anticorpo monoclonal humanizado | Heptapeptídeo cíclico contendo KGD | Molécula não peptídica semelhante a RGD |
| Específico para GPIIb/IIIa | Não (liga-se a receptor de vitronectina) | Sim | Sim |
| Meia-vida plasmática | Curta (min) | Longa (2,5 h) | Longa (2 h) |
| Meia-vida de ligação a plaquetas | Longa (dias) | Curta (s) | Curta (s) |
| Depuração renal | Não | Sim | Sim |
-
Novos Agentes Antiplaquetários:
- Cangrelor: Inibidor direto, reversível de P2Y12 (IV), meia-vida 3-6 min.
- Ticagrelor: Inibidor oral, reversível de P2Y12, mais rápido e previsível que clopidogrel. Reduz morte cardiovascular em síndromes coronarianas agudas.
- Inibidores de PAR-1 (SCH530348, E5555): Bloqueiam ativação plaquetária mediada pela trombina.
O PAPEL DA VITAMINA K
- Química: Vitamina K1 (filoquinona, plantas), Vitamina K2 (menaquinonas, bactérias).
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Funções Fisiológicas:
- Cofator essencial para γ-glutamil carboxilase (no fígado).
- Catalisa γ-carboxilação de fatores de coagulação (II, VII, IX, X) e proteínas anticoagulantes (C, S, Z).
- Resíduos Gla permitem ligação ao Ca2+ e interação com fosfolipídeos de membrana.
-
Mecanismo (Figura 30-7): Ciclo da vitamina K.
- Vitamina K reduzida atua como cofator para γ-glutamil carboxilase.
- Forma-se epóxido de vitamina K.
- Vitamina K epóxido redutase (VKOR) regenera vitamina K reduzida.
- Varfarina inibe VKOR.
- Necessidades Humanas: Não definidas precisamente (0,03-1 μg/kg/dia).
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Sintomas de Deficiência: Tendência aumentada a sangramento (equimoses, epistaxe, hematúria).
- Anormalidades ósseas fetais (síndrome da varfarina fetal) ligadas à deficiência.
- Toxicidade: Fitonadiona e menaquinonas não tóxicas. Menadiona (sintética) causa anemia hemolítica em neonatos.
- Absorção: Depende da presença de sais biliares.
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Usos Terapêuticos:
- Corrigir sangramento/hemorragia associada à deficiência de vitamina K.
- Doença hemorrágica do recém-nascido (1 mg fitonadiona IM ao nascimento).
- Má absorção (obstrução biliar, fibrose cística).
- Hipoprotrombinemia induzida por fármacos/veneno (ex: antagonistas da vitamina K).
Resumo Clínico
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Heparina e HBPMs: Usadas em tromboembolia venosa, angina instável, IM, profilaxia de trombose.
- Principais EA: sangramento, TIH.
- Inibidores diretos da trombina: Para pacientes com TIH (lepirudina, bivalirudina, argatrobana).
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Varfarina: Previne progressão/recorrência de tromboembolia venosa, embolização sistêmica.
- Janela terapêutica estreita, muitas interações.
- Risco de sangramento e defeitos fetais.
- NOACs: Promessas para substituir varfarina, simplificando o cuidado (doses fixas sem monitoramento).
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Fibrinolíticos (t-PA e derivados): Reduzem mortalidade no IM, usados em AVE isquêmico agudo.
- Principal EA: hemorragia.
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Agentes Antiplaquetários (AAS, clopidogrel, inibidores GPIIb/IIIa): Previnem trombose pós-angioplastia, IM, AVE.
- Principal EA: sangramento.
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By jorge veras
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