Slide 1: Título
Sepse: Definição, Diagnóstico e Manejo
Slide 2: Definição de Sepse
- Definição: Condição ameaçadora à vida causada por uma resposta desregulada do hospedeiro a uma infecção.
-
Consequências:
- Resposta inflamatória pode resultar em disfunção de múltiplos órgãos.
- Potencialmente fatal.
-
Importância:
- Identificação precoce e manejo oportuno são cruciais para impactar positivamente os desfechos.
Slide 3: Introdução e Fontes
- Recomendações: As definições apresentadas seguem as recomendações do Instituto Latinoamericano de Sepse (ILAS).
- Base: Diretrizes da Surviving Sepsis Campaign, conforme a publicação do Consenso Sepsis-3.
Slide 4: Síndrome da Resposta Inflamatória Sistêmica (SRIS)
- Status: Não faz parte dos critérios para definição de sepse, mas é um instrumento de triagem.
- Objetivo: Identificação de pacientes com infecção e sob risco potencial de sepse ou choque séptico.
-
Caracterizada por (≥ 2 critérios):
- Temperatura central: > 38,3°C ou < 36°C (ou equivalente axilar).
- Frequência cardíaca (FC): > 90 bpm.
- Frequência respiratória (FR): > 20 irpm ou PaCO2 < 32 mmHg.
- Leucócitos totais: > 12.000 céls/mm³ ou < 4.000 céls/mm³ ou > 10% de formas jovens (desvio à esquerda).
Slide 5: Infecção sem Disfunção Orgânica
-
Definição:
- Paciente com foco infeccioso suspeito ou confirmado.
- Pode apresentar ou não os critérios de SRIS.
- SEM apresentar disfunção orgânica.
Slide 6: Sepse
-
Definição (Consenso Sepsis-3):
- Disfunção orgânica potencialmente fatal causada por uma resposta desregulada do paciente à infecção.
-
Identificação Precoce:
- É fundamental a identificação precoce de disfunção orgânica.
- Baseia-se em variações de sinais, sintomas e alterações laboratoriais.
-
Ferramentas:
- Escore SOFA (Sequential Organ Failure Assessment): Avalia a disfunção orgânica.
- Dosagem sérica de lactato: Avalia a perfusão.
- Ambos permitem estimar a gravidade do evento.
Slide 7: Disfunção Orgânica na Sepse
-
Definição:
- Aumento de ≥ 2 pontos no escore SOFA.
-
Cálculo e Reavaliação:
- Calculado na admissão na UTI.
- Recalculado conforme a evolução clínica ou a cada 24 horas.
-
Diagnóstico:
- Na ausência de outras explicações plausíveis e com foco infeccioso presumível, a presença de disfunção orgânica pode representar diagnóstico de sepse.
Slide 8: Choque Séptico
-
Definição:
- Sepse (infecção com disfunção orgânica) acompanhada de hipotensão não responsiva à utilização de fluidos.
- Independentemente dos valores de lactato.
-
Caracterização Objetiva:
- Pressão Arterial Média (PAM) ≤ 65 mmHg mesmo após reanimação volêmica adequada.
- Necessidade do uso de medicamentos vasopressores para manutenção do alvo pressórico.
-
Marcadores de Hipoperfusão:
- Níveis de lactato > 2 mmol/L (18 mg/dL).
- Auxiliam na titulação da reposição volêmica.
Slide 9: Rastreamento e Identificação da Sepse: quick-SOFA (qSOFA)
- Escore: Desenvolvido para rápida identificação à beira do leito.
- Objetivo: Identificar pacientes com infecção com risco de morte por sepse fora da UTI e no setor de emergência.
- Composição: Apenas achados detectáveis no exame físico.
-
Sinais Clínicos (≥ 2 pontos indica desfechos desfavoráveis):
- Frequência Respiratória (FR) ≥ 22 irpm.
- Alteração do nível de consciência.
- Pressão Arterial Sistólica (PAS) ≤ 100 mmHg.
Slide 10: Rastreamento e Identificação da Sepse: National Early Warning Score (NEWS)
- Sistema de Avaliação: Semelhante ao qSOFA, mas com mais parâmetros.
-
Parâmetros Fisiológicos (6):
- Frequência Respiratória
- Saturação de Oxigênio
- Pressão Arterial Sistólica (PAS)
- Frequência Cardíaca (FC)
- Alteração do Nível de Consciência
- Temperatura
- Pontuação: Cada parâmetro recebe de 0 a 3 pontos.
-
Classificação do Risco:
- 0-4: Baixo risco (um escore 3 em qualquer parâmetro individual indica, no mínimo, risco baixo-médio).
- 5-6: Risco médio.
- ≥ 7: Alto risco.
- Indicação: Quanto mais alto o valor, maior o risco de morte por sepse e maior a necessidade de resposta urgente e monitoramento clínico próximo.
Slide 11: Etiologia da Sepse
-
Agentes Indutores: O quadro clínico da disfunção orgânica atribuída à sepse pode ser induzido por infecções causadas por:
- Bactérias Gram-positivas
- Bactérias Gram-negativas
- Vírus
- Fungos
- Outras etiologias
- Desafio Diagnóstico: Em alguns casos, nenhum patógeno é identificável pelos métodos microbiológicos disponíveis.
Slide 12: Etiologias Mais Frequentes (por Foco) - Sepse Pulmonar
- Streptococcus pneumoniae
- Atípicos: Mycoplasma pneumoniae, Chlamydophila pneumoniae, Legionella sp.
- Haemophilus influenzae
- Em DPOC: Considerar Pseudomonas aeruginosa
- Staphylococcus aureus
- Internação Hospitalar: Considerar a possibilidade de infecção por bacilos Gram-negativos
- Etiologia Viral: Influenza, COVID-19, Vírus Sincicial Respiratório, Adenovírus, Metapneumovírus, Parainfluenza
- Etiologia Fúngica: Histoplasmose, Paracoccidioidomicose, Criptococose, Pneumocistose
- Tuberculose
Slide 13: Etiologias Mais Frequentes (por Foco) - Sepse Urinária
- Escherichia coli
- Klebsiella pneumoniae, Pseudomonas aeruginosa, Proteus mirabilis
- Enterococcus faecalis, Enterococcus faecium
- Staphylococcus saprophyticus, Streptococcus agalactiae
Slide 14: Etiologias Mais Frequentes (por Foco) - Sepse Abdominal
- Escherichia coli, Klebsiella pneumoniae
- Bacteroides fragilis
- Enterococcus faecalis, Enterococcus faecium
- Salmonella sp., Shigella sp., Campylobacter sp.
Slide 15: Etiologias Mais Frequentes (por Foco) - Sepse Cutânea
- Staphylococcus aureus (considerar cobertura anti-MRSA)
- Streptococcus pyogenes
- Pseudomonas aeruginosa
-
Mordeduras:
- Eikenella corrodens (humanos)
- Pasteurella multocida (gatos e cães)
- Infecções Necrotizantes (ex: gangrena de Fournier): Geralmente polimicrobianas.
Slide 16: Etiologias Mais Frequentes (por Foco) - Infecções Primárias de Corrente Sanguínea
-
Considerar em pacientes com:
- Fístulas arteriovenosas
- Cateteres de longa permanência (hemodiálise ou quimioterapia)
-
Patógenos Comuns:
- Staphylococcus aureus e Staphylococcus coagulase-negativos
- Enterobactérias produtoras de ESBL
- Enterococcus faecalis, Enterococcus faecium
- Candida spp.
Slide 17: Etiologias Mais Frequentes (por Foco) - Infecções do Sistema Nervoso Central
- Streptococcus pneumoniae
- Neisseria meningitidis
- Haemophilus influenzae
- Listeria monocytogenes (recém-nascidos até 3 meses, pacientes acima de 50 anos e gestantes)
- Staphylococcus aureus
Slide 18: Apresentação Clínica: Anamnese e Exame Físico
- Objetivo: Identificar sinais e sintomas do provável foco de infecção e avaliar a gravidade do quadro clínico.
-
Principais Sintomas (Gerais):
- Febre ou hipotermia
- Calafrios
- Queda do estado geral, prostração
- Oligúria
- Inapetência e fraqueza
-
Sintomas Relacionados ao Foco Primário:
- Dispneia e cansaço (pneumonia)
- Dor abdominal (infecções intra-abdominais)
- Disúria (infecções do trato urinário)
Slide 19: Apresentação Clínica: Fatores de Risco
- Idade avançada (≥ 65 anos)
- Imunossupressão
- Neoplasias malignas
- Diabetes Mellitus (DM)
- Obesidade
- Hospitalização recente (últimos 3 meses)
- Evidência de bacteremia
- Admissão em UTI
- Fatores genéticos
Slide 20: Apresentação Clínica: Sinais de Gravidade
- Hipotensão arterial (PAS < 100 mmHg)
- Alteração do nível de consciência
- Dessaturação
- Taquipneia com esforço
- Sinais de insuficiência respiratória
Slide 21: Apresentação Clínica: Sinais de Baixa Perfusão Tecidual
- Redução da temperatura das extremidades
- Enchimento capilar lentificado
- Cianose
- Rebaixamento do nível de consciência
- Oligúria, anúria
- Peristalse abolida e íleo adinâmico
Slide 22: Abordagem Diagnóstica: Considerações Iniciais
- Diagnóstico: Clínico-laboratorial.
- Urgência: Resultados de exames NÃO DEVEM retardar o início do tratamento.
-
Manejo Inicial (idealmente em até 1 hora):
- Reanimação volêmica com cristaloides (30 mL/kg).
- Dosagem de lactato.
- Coleta de hemoculturas.
- Início de antibioticoterapia de amplo espectro.
Slide 23: Abordagem Diagnóstica: Diagnóstico Microbiológico
-
Hemocultura:
- Solicitar para todos os pacientes.
- Duas amostras de sítios diferentes (preferencialmente durante o pico febril).
- Não atrasar antibioticoterapia se a coleta demorar > 45 minutos.
- Urinocultura: Indicada em casos sem foco definido ou suspeita de ITU.
-
Bacterioscopia por Gram e Cultura do Escarro:
- Suspeita de pneumonia.
- Baixo rendimento, pode haver contaminantes.
- Cultura de Secreção Traqueal: Evolução para insuficiência respiratória com ventilação mecânica invasiva.
-
Infecção Fúngica Invasiva:
- Considerar dosagem de betaglucana (BDG), galactomanana e anticorpo antigalactomanana.
Slide 24: Exames Laboratoriais
-
Hemograma e Coagulograma:
- Leucocitose com desvio à esquerda ou leucopenia.
- Contagem leucocitária normal com bastões > 10%.
- Trombocitopenia.
-
Função Renal, Eletrólitos e Glicemia:
- Aumento das escórias renais.
- Hipernatremia (desidratação).
- Alterações glicêmicas.
- Gasometria: Hipoxemia (redução PaO2/FiO2).
- Proteína C Reativa (PCR): Níveis elevados (> 2x limite normal) comuns.
-
Lactato:
- Marcador de má perfusão tecidual.
-
2 mmol/L: Sugere hipoperfusão.
-
4 mg/dL: Consistente com choque séptico (não diagnóstico).
- Dosagem preferida: Lactato arterial.
Slide 25: Exames Laboratoriais (Continuação)
-
Hepatograma:
- Transaminases elevadas e bilirrubinas elevadas (comuns).
- Hiperbilirrubinemia: Critério de gravidade.
-
Coagulograma:
- Alargamento de TAP e PTT: Sinais de disfunção hepática, marcadores de gravidade.
-
Diagnóstico Radiológico:
- Exames de imagem do possível foco (RX/TC tórax/abdome, US abdominal).
-
Outros:
- Sinais de insuficiência adrenal (hiponatremia, hipercalemia).
- Síndrome do eutireoideo doente.
-
Procalcitonina:
- Diferencia infecções de outras condições não infecciosas.
- Aumento > 2x limite normal: Sugere infecção e sepse.
- Uso para guiar suspensão de antibiótico: controverso.
Slide 26: Diagnóstico Diferencial (Exemplos)
-
Infecções Específicas:
- Pneumonia (comunitária, hospitalar), Infecção gastrointestinal.
- Pielonefrite aguda/crônica, Meningoencefalites.
- Abscessos (SNC, intra-abdominal, hepático piogênico, pulmonar).
- Endocardite infecciosa, Estafilococcia.
- Infecções necrotizantes de pele (fascite necrotizante).
- Artrite séptica, Osteomielite, Infecção de ferida operatória.
- Peritonite bacteriana, Colecistite, Colangite, Pancreatite necrosante.
- Doença inflamatória pélvica, Mediastinite.
- Infecções fúngicas invasivas (candidíase, aspergilose, histoplasmose).
- A lista é extensa e abrange diversas condições infecciosas que podem mimetizar ou causar sepse.
Slide 27: Acompanhamento
-
Internação Hospitalar:
- Considerar para todo paciente com critérios de sepse sem foco definido.
- Casos de infecções de sítio definido, respeitando indicações específicas.
-
Internação em UTI:
- Considerar para todo paciente com choque séptico.
- Necessidade de monitoramento hemodinâmico intensivo, uso de aminas e/ou ventilação mecânica.
Slide 28: Abordagem Terapêutica: Surviving Sepsis Campaign Bundle (1 hora)
- "Tempo Zero": Período da triagem na emergência ou primeira constatação de sepse/choque séptico.
-
Ações (em até 1 hora):
- Medir lactato: Repetir dosagem entre 2-4 horas se lactato inicial > 2 mmol/L para guiar reanimação.
- Obter hemoculturas: Antes da administração de antibióticos.
- Administrar antimicrobianos de amplo espectro.
- Iniciar administração rápida de cristaloide a 30 mL/kg: Para hipotensão ou lactato ≥ 4 mmol/L.
- Iniciar vasopressores: Se paciente hipotenso durante ou após reanimação volêmica, para manter PAM ≥ 65 mmHg.
- Via Aérea: Garantir via respiratória pérvia e eficiente, manejo de hipoxemia (O2 suplementar/VM) e prevenção de broncoaspiração.
Slide 29: Abordagem Terapêutica: 1º Reanimação Inicial
- Completa: Em até 3 horas (antibióticos na 1ª hora, fluidos até 3ª hora, objetivos em até 6 horas).
-
Objetivos:
- PVC: 8-12 mmHg (12-15 mmHg em VM ou ↓ complacência ventricular).
- PAM: ≥ 65 mmHg.
- Débito Urinário: ≥ 0,5 mL/kg/hora.
- SvcO2 ≥ 70% ou SvO2 ≥ 65%.
- Curva de Lactato: A cada 6 horas, com alvo de normalização ou clearance > 10% nas primeiras 12 horas.
-
Má Perfusão Persistente:
- Considerar mais fluido com avaliações dinâmicas (ΔPVC, ΔPP, elevação passiva das pernas, POCUS, contratilidade cardíaca).
Slide 30: Abordagem Terapêutica: 2º Antibioticoterapia - Escolha
-
Princípios:
- Escolher antibióticos de amplo espectro em dose plena.
- Cobertura apropriada: Germes Gram-positivos e negativos, fungos e vírus (se suspeito).
- Boa penetração no sítio de infecção suspeito.
- Após coleta de culturas, desde que não atrase a administração.
-
Considerações:
- Uso de antibióticos recentes.
- Germes previamente isolados.
- Comorbidades, imunodeficiências.
- Internações prévias (últimos 6 meses).
- Dispositivos invasivos.
- Prevalência e resistência locais (guia de antibioticoterapia empírica da CIH).
Slide 31: Abordagem Terapêutica: 2º Antibioticoterapia - Reavaliação e Duração
-
Reavaliação: Diária do esquema antibiótico (conforme exames, culturas).
- Otimizar eficácia, prevenir resistência, evitar toxicidade e minimizar custos.
- Procalcitonina: Utilizar como marcador para descontinuação (ainda controverso) em pacientes com suspeita de sepse sem evidência de infecção subsequente.
- Terapia Empírica Combinada: Não manter por mais que 3 a 5 dias. Substituir por antibiótico mais específico conforme antibiograma.
-
Duração do Tratamento:
- Geralmente 7 a 10 dias (de acordo com o foco).
- Pode ser prolongada em caso de resposta lenta, foco não drenado, imunodeficiência, infecções fúngicas/virais específicas.
- Suspensão: Interromper imediatamente se constatada causa não infecciosa.
Slide 32: Abordagem Terapêutica: 3º Identificação e Controle do Sítio de Infecção
- Prioridade: Delimitar o foco da infecção o quanto antes e abordá-lo.
-
Ações de Controle:
- Drenagem de abscessos.
- Debridamento tecidual.
- Descompressão de via biliar.
-
Timing:
- Implementar medidas de controle imediatamente após a reanimação volêmica inicial.
- Exceção: Necrose pancreática infectada (aguardar procedimento cirúrgico).
- Princípios: Escolher medidas com máxima eficácia e mínimo comprometimento fisiológico.
- Dispositivos: Remover dispositivos potencialmente infectados (após aquisição de novos, se necessários).
Slide 33: Abordagem Terapêutica: 4º Reanimação Volêmica
- Preferência: Cristaloides (fluidos balanceados como Ringer lactato ou solução salina).
-
Dose: 30 mL/kg de peso atual.
- Atentar para condições de restrição volêmica (ex: edema agudo de pulmão).
- Consideração: Acidose hiperclorêmica com uso de solução fisiológica de NaCl a 0,9%.
- Alvo de PVC: 8 a 12 mmHg (12 a 15 mmHg se em ventilação mecânica).
-
"Prova de Volume":
- Infusão rápida de volume com reavaliação da resposta hemodinâmica.
- Preferencialmente 500 mL em bólus a cada etapa.
- Geralmente 2 a 3 L são suficientes, mas maiores volumes podem ser necessários.
- Taxa de Infusão: Diminuir se houver aumento das pressões de enchimento cardíaco sem melhora hemodinâmica.
Slide 34: Abordagem Terapêutica: 5º Medicamentos Vasopressores - Escolha Inicial
- Objetivo: Manter PAM ≥ 65 mmHg.
- Primeira Escolha: Norepinefrina (infusão em acesso venoso central).
- NÃO Administrar Inicialmente: Epinefrina, Fenilefrina, Dopamina e Vasopressina.
-
Adição Precoce de Vasopressina:
- Para pacientes que mantenham hipotensão a despeito do uso de Norepinefrina.
- Em oposição ao aumento progressivo das doses de Norepinefrina.
- Dose: 0,03 unidade/minuto (potencializa efeito/diminui dose de Norepinefrina).
- Não recomendada como vasopressor único, doses > 0,03 apenas em casos refratários.
Slide 35: Abordagem Terapêutica: 5º Medicamentos Vasopressores - Outras Opções
-
Adição de Epinefrina:
- Pacientes com choque séptico que mantêm hipotensão mesmo com Norepinefrina e Vasopressina.
-
Vasopressina como Alternativa:
- Em pacientes com taquicardia importante (ex: FC > 160 bpm), onde a piora da taquicardia agravaria o quadro.
-
Dopamina:
- Considerada alternativa em pacientes com baixo risco de taquiarritmias e com bradicardia absoluta ou relativa.
- NÃO utilizar baixas doses para proteção renal.
-
Fenilefrina:
- NÃO recomendada para tratamento do choque séptico.
- Exceções: Norepinefrina associada a arritmias graves, débito cardíaco alto e PA persistentemente baixa, ou como última alternativa.
- Monitoramento: Estabelecer monitoramento invasivo da pressão arterial o quanto antes.
Slide 36: Abordagem Terapêutica: 6º Medicamentos Inotrópicos
-
Dobutamina:
- Inotrópico de escolha para pacientes com insuficiência cardíaca.
- Evidenciada por aumento nas pressões de enchimento e baixo débito cardíaco.
- Objetivo: Não aumentar o índice cardíaco acima dos níveis considerados normais.
-
Quando Considerar:
- Persistência de sinais de má perfusão, mesmo após reposição volêmica adequada e uso de vasopressores.
- Pacientes com volemia normal que usam vasopressores e cuja perfusão continua inadequada.
- Infusão máxima: 20 microgramas/kg/minuto.
Slide 37: Abordagem Terapêutica: 7º Corticoterapia
-
Hidrocortisona Venosa:
- NÃO utilizar para choque séptico se a reanimação volêmica e vasopressores restaurarem a estabilidade hemodinâmica.
- CASO CONTRÁRIO: Administrar doses de 200 mg/dia, preferencialmente em bomba de infusão contínua.
- Teste de Estímulo com ACTH: NÃO recomendado para avaliação de resposta à hidrocortisona.
- Desmame: Cessar gradualmente quando vasopressores não forem mais necessários.
- Uso em Sepse sem Choque: NÃO utilizar, exceto na necessidade de reposição endócrina.
Slide 38: Abordagem Terapêutica: 8º Hemotransfusão - Hemácias e Plasma
-
Concentrado de Hemácias:
- Indicado quando hemoglobina < 7 g/dL em adultos com sepse grave ou choque séptico.
- Alvos mais altos podem ser necessários em circunstâncias especiais (isquemia miocárdica, hipoxemia grave, hemorragia aguda, cardiopatia congênita cianótica, acidose láctica).
- NÃO utilizar eritropoetina para anemias induzidas por sepse.
-
Plasma Fresco Congelado:
- NÃO utilizar para correção laboratorial da coagulação.
- Exceção: Sangramento ativo ou procedimento invasivo previsto.
- Terapia com Antitrombina: NÃO empregar.
Slide 39: Abordagem Terapêutica: 8º Hemotransfusão - Plaquetas
-
Usar Concentrado de Plaquetas nas seguintes situações:
- ≤ 10.000/mm³: Independentemente de sangramento.
- ≤ 20.000/mm³: Com risco significativo de sangramento/febre.
- ≥ 50.000/mm³: Em casos de sangramento ativo ou antes de procedimentos cirúrgicos ou invasivos.
Slide 40: Abordagem Terapêutica: 9º Medicamentos NÃO Recomendados
- PCR ativada recombinante (rhAPC) - já retirada do mercado.
- Imunoglobulina endovenosa.
- Selênio endovenoso.
- Vitamina C.
Slide 41: Abordagem Terapêutica: 10º Ventilação Mecânica - Estratégia Protetora
- Volume Corrente-alvo: 4-6 mL/kg (considerando o peso ideal).
- Pressão de Platô: Manter ≤ 30 cmH2O (considerar complacência da parede torácica).
- Hipercapnia Permissiva: Se necessário, para manter pressão de platô e volume corrente desejados.
- PEEP: Ajustar para evitar colapso pulmonar no final da expiração (considerar PEEP mais alta em SDRA).
Slide 42: Abordagem Terapêutica: 10º Ventilação Mecânica - Estratégias Adicionais
-
Manobras de Recrutamento Alveolar: Em pacientes com hipoxemia refratária.
- Observação: Posição prona mostrou melhores resultados que as manobras de recrutamento e deve ser a escolha na hipoxemia refratária.
- Posição Prona: Considerar em pacientes com PaO2/FiO2 ≤ 150 mmHg, sem risco hemodinâmico.
-
Prevenção de PAV:
- Elevação da cabeceira em 30-45° para pacientes em VM.
- Tubos orotraqueais com sistema de aspiração subglótica.
-
Ventilação Não Invasiva (VNI):
- Considerar em casos mais brandos, se pacientes elegíveis (hemodinamicamente estáveis, confortáveis, despertos, capazes de proteger vias respiratórias, recuperação rápida).
Slide 43: Abordagem Terapêutica: 10º Ventilação Mecânica - Desmame e Outras Considerações
-
Protocolo de Desmame: Utilizar protocolo e teste de respiração espontânea.
- Opções: CPAP ou Tubo T.
- Critérios de elegibilidade: paciente despertável, hemodinamicamente estável sem vasopressor, sem nova condição grave, baixos níveis de pressão de suporte/PEEP, FiO2 que possa ser garantida por máscara/cânula nasal.
- Cateter de Swan-Ganz: NÃO utilizar rotineiramente em pacientes com SDRA.
- Reposicionamento Volêmico: Estratégia conservadora em pacientes com lesão pulmonar aguda estabelecida sem hipoperfusão.
- Beta-2-agonistas: NÃO utilizar para tratamento de SDRA (ausência de broncoespasmo).
Slide 44: Abordagem Terapêutica: 11º Analgesia, Sedação e Bloqueio Neuromuscular
-
Sedação:
- Utilizar protocolos para atingir objetivos predeterminados (escala de sedação).
- Interrupções diárias ou diminuição da dose para promover o despertar.
- Titular as doses.
-
Bloqueadores Neuromusculares:
- Evitar sempre que possível.
- Monitorar profundidade do bloqueio por estímulo neuromuscular.
- Pode ser usado em pacientes com SDRA (relacionado à PaO2/FiO2).
Slide 45: Abordagem Terapêutica: 12º Controle da Glicemia
-
Insulina Endovenosa:
- Para controle da hiperglicemia em pacientes com ≥ 2 medidas de glicemia > 180 mg/dL.
- Objetivo: Glicemia ≤ 180 mg/dL.
- Utilizar protocolo para ajuste de dose.
-
Monitoramento:
- Fornecer aporte de glicose.
- Monitorar glicemia a cada 1-2 horas (4 horas para pacientes estáveis) em insulinoterapia.
- Glicemia Capilar: Interpretar com cautela, pode subestimar o valor real. Preferir medida com base no sangue arterial.
Slide 46: Abordagem Terapêutica: 13º Diálise
- Equivalência: Hemodiálise intermitente e hemofiltração venovenosa contínua são consideradas equivalentes.
- Preferência: A hemofiltração apresenta manejo mais fácil em pacientes hemodinamicamente instáveis.
Slide 47: Abordagem Terapêutica: 14º Bicarbonato
- NÃO Utilizar: Com o objetivo de melhorar a hemodinâmica ou reduzir as necessidades de vasopressores no tratamento da acidose láctica com pH ≥ 7,15.
Slide 48: Abordagem Terapêutica: 15º Profilaxia de Trombose Venosa Profunda
-
Anticoagulação:
- Heparina de baixo peso molecular (preferencialmente) ou Heparina não fracionada.
- Exceção: Contraindicações.
-
Profilaxia Mecânica:
- Por compressão, em associação ao anticoagulante profilático (sempre que possível).
-
Contraindicações à Anticoagulação:
- Trombocitopenia, coagulopatia grave, sangramento ativo ou hemorragia intracerebral recente.
- Usar métodos de compressão pneumática.
Slide 49: Abordagem Terapêutica: 16º Profilaxia de Úlceras por Estresse
- Indicação: Utilizar bloqueadores H2 ou inibidores de bombas de prótons em pacientes de risco.
- Avaliação: Pesar o benefício da prevenção de sangramento digestivo alto contra o potencial aumento de risco de PAV.
- Contraindicação: Pacientes sem fatores de risco para sangramento digestivo não devem receber profilaxia.
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By jorge veras
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