MODULADORES DA ISQUEMIA MIOCÁRDICA E HIPERTENSÃO
Fisiopatologia e Abordagens Terapêuticas
Fisiopatologia da Cardiopatia Isquêmica
- Angina de Peito: Principal sintoma, causada por isquemia miocárdica transitória.
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Mecanismo: Desequilíbrio entre suprimento e demanda de oxigênio do miocárdio.
- Aumento da Demanda: Frequência cardíaca, contratilidade ventricular, tensão da parede ventricular.
- Diminuição do Suprimento: Fluxo sanguíneo coronariano (estenose aterosclerótica, trombose, vasospasmo).
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Tipos de Angina:
- Típica (Estável): Desconforto subesternal compressivo com esforço, aliviado por repouso ou nitroglicerina.
- Variante (Prinzmetal): Devido a vasospasmo coronariano focal ou difuso.
- Instável: Aumento de frequência/gravidade, ocorrendo em repouso (ruptura de placa aterosclerótica com trombose).
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Isquemia Silenciosa: Evidências de isquemia sem sintomas. Os mesmos fatores precipitantes da sintomática.
- Beta-bloqueadores mais eficazes que bloqueadores de canais de Ca2+ na prevenção.
Modulação Farmacológica na Isquemia Miocárdica (Visão Geral)
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Principais Fármacos Antianginosos:
- Nitrovasodilatadores: Aumentam suprimento (vasodilatação coronariana) e/ou reduzem demanda (diminuem trabalho cardíaco).
- Antagonistas dos Receptores β-adrenérgicos: Reduzem demanda.
- Antagonistas dos Canais de Ca2+: Aumentam suprimento e/ou reduzem demanda.
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Outros Fármacos Eficientes:
- Agentes Antiplaquetários: Previnem trombose (angina instável).
- Estatinas: Estabilizam placa vulnerável.
- Ranolazina: Novo agente para angina crônica (mecanismo em canais de Na+).
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Objetivos Terapêuticos:
- Angina típica: Reduzir demanda de O2.
- Angina instável: Aumentar fluxo sanguíneo miocárdico (antiplaquetários, heparina, revascularização).
- Angina variante: Evitar vasospasmo coronariano.
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Impacto na Mortalidade:
- Beta-bloqueadores reduzem mortalidade (diminuem morte súbita, IM).
- Nitratos orgânicos não associados a melhora na mortalidade cardíaca.
- Tratamento de Fatores de Risco: AAS, clopidogrel, estatinas, inibidores da ECA (IECA) reduzem progressão da aterosclerose e mortalidade.
- Intervenções Mecânicas: Angioplastia, stents coronarianos, cirurgia de revascularização.
Nitratos Orgânicos - Mecanismo de Ação e Química
- Definição: Pró-fármacos que servem como fonte de óxido nítrico (NO).
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Mecanismo do NO:
- Ativa a guanililciclase solúvel.
- Aumenta níveis intracelulares de GMP cíclico.
- Promove desfosforilação da cadeia leve de miosina e redução do Ca2+ citosólico.
- Resulta em relaxamento das células musculares lisas, levando à vasodilatação.
- Também inibe agregação plaquetária e relaxa músculos lisos em brônquios e TGI.
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História:
- Nitroglicerina sintetizada em 1846 (Sobrero).
- Brunton (1857) e Murrell (1863) estabeleceram uso de nitritos/nitroglicerina para angina.
- Nobel recebeu Nobel (1998) pelo papel do NO.
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Química:
- Ésteres polióis do ácido nítrico (ex: trinitrato de glicerila – nitroglicerina).
- Ésteres do ácido nitroso (ex: nitrito de amila).
- Denominados coletivamente nitrovasodilatadores.
- Devem ser metabolizados (reduzidos) para produzir NO gasoso.
Nitratos Orgânicos - Propriedades Farmacológicas: Efeitos Cardiovasculares
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Efeitos Hemodinâmicos:
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Baixas concentrações: Dilatam preferencialmente veias (venodilatação).
- Diminui retorno venoso → reduz tamanho câmaras ventriculares e pressões diastólicas finais (redução da pré-carga).
- Pouca alteração na resistência vascular sistêmica.
- Pode causar rubor (dilatação arteriolar facial/cervical) e cefaleia (vasos meníngeos).
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Doses mais altas: Causam maior acúmulo venoso e podem diminuir resistência arteriolar (redução da pós-carga).
- Reduz pressão arterial sistólica/diastólica, débito cardíaco.
- Pode levar a palidez, fraqueza, tontura, com ativação de reflexos simpáticos compensatórios (taquicardia reflexa, vasoconstrição).
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Baixas concentrações: Dilatam preferencialmente veias (venodilatação).
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Efeitos no Fluxo Sanguíneo Coronariano:
- Vasodilatação direta das artérias coronarianas (principalmente vasos > 200 µm).
- Aumento do fluxo colateral para regiões isquêmicas.
- Restauram fluxo sanguíneo para regiões subendocárdicas.
- Redução da demanda de O2 miocárdico pode levar a um equilíbrio do fluxo sanguíneo (fluxo em áreas não isquêmicas pode diminuir).
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Efeitos nas Necessidades de O2 do Miocárdio:
- Redução da tensão na parede ventricular (pré-carga e pós-carga).
- Diminuição da frequência cardíaca e contratilidade (efeito indireto via reflexo).
- Resultado final: Diminuem o consumo de O2 do miocárdio.
Nitratos Orgânicos - Mecanismo de Alívio da Angina e Outros Efeitos
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Alívio da Angina:
- Principalmente pela redução da demanda cardíaca de O2.
- Redistribuição favorável do fluxo sanguíneo para o miocárdio subendocárdico isquêmico também contribui.
- Dilatação coronariana direta é importante em vasospasmo.
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Outros Efeitos:
- Relaxam quase todos os músculos lisos: brônquico, trato biliar (vesícula, ductos, esfíncter de Oddi), trato gastrointestinal (esôfago).
- Podem relaxar músculos ureteral e uterino (importância clínica incerta).
- Aumentam GMP cíclico nas plaquetas, inibindo sua função.
Nitratos Orgânicos - Farmacocinética e Tolerância
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Absorção, Destino e Excreção:
- Nitroglicerina: Meia-vida 1-3 min (sublingual, aerossol). Metabólitos (dinitrato de glicerila) com meia-vida de 40 min. Metabolizada por aldeído desidrogenase mitocondrial.
- Dinitrato de isossorbida: Meia-vida 45 min (sublingual). Metabólitos ativos (mononitratos) com meia-vida mais longa (3-6h).
- 5-Mononitrato de isossorbida: Não sofre metabolismo de primeira passagem significativo, maior biodisponibilidade oral. Meia-vida mais longa (60-120 mg/dia).
- NO inalado: Ação na vasculatura pulmonar (rápida inativação por hemoglobina). Uso em hipertensão pulmonar neonatal.
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Tolerância:
- Exposição frequente/contínua a altas doses leva à atenuação dos efeitos farmacológicos.
- Mecanismos: Redução da capacidade do músculo liso vascular de converter nitroglicerina em NO, depleção de grupos sulfidrila, geração de radicais livres, inativação da aldeído desidrogenase.
- Pseudotolerância: Ativação de mecanismos extrínsecos (expansão de volume, ativação neuro-humoral).
- Prevenção: Interrupção diária da terapia por 8-12h ("intervalo sem nitrato").
- "Doença da segunda-feira": Tolerância em trabalhadores de explosivos que se perde no fim de semana e reaparece na volta ao trabalho.
- Não interromper abruptamente em uso crônico devido ao risco de "rebote anginoso".
Nitratos Orgânicos - Toxicidade e Usos Terapêuticos
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Toxicidade e Reações Adversas:
- Cefaleia: Comum e intensa (geralmente diminui com a continuidade do tratamento).
- Hipotensão postural: Tontura, fraqueza, síncope. Acentuada por álcool ou disfunção autônoma.
- Exantema medicamentoso.
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Interação com inibidores da PDE5 (sildenafila, tadalafila, vardenafila):
- Contraindicado! Pode causar hipotensão extrema e fatal.
- Inibidores da PDE5 aumentam GMPc, nitratos também. Combinação leva a acúmulo excessivo.
- Evitar nitratos por 24h (sildenafila/vardenafila) ou mais (tadalafila) após uso de PDE5.
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Usos Terapêuticos:
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Angina:
- Sublingual (nitroglicerina): Alívio rápido (1-2 min) de ataques agudos, profilaxia antes do esforço.
- Oral (mononitrato de isossorbida): Profilaxia crônica.
- Cutânea (pomada, adesivos): Profilaxia prolongada, angina noturna.
- Transmucosa/Bucal: Profilaxia de curto prazo.
- Insuficiência Cardíaca Congestiva (ICC): Alívio da congestão pulmonar, aumento do débito cardíaco.
- Angina Instável e Infarto do Miocárdio sem Elevação do Segmento ST: Reduz vasospasmo e consumo de O2. IV para titulação rápida.
- Infarto Agudo do Miocárdio (IM): Alivia dor isquêmica, efetivo para edema pulmonar. Evitar em infarto de VD ou hipotensão.
- Angina Variante (de Prinzmetal): Fármaco eficaz, mas bloqueadores de canais de Ca2+ são preferíveis.
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Angina:
Antagonistas dos Canais de Ca2+ - Mecanismo de Ação
- Mecanismo Principal: Inibem a função dos canais de Ca2+ sensíveis à voltagem (tipo L ou lentos).
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Local de Ação:
- Músculo liso vascular: Inibem influxo de Ca2+ extracelular → relaxamento vascular (particularmente em leitos arteriais).
- Miocárdio: Reduzem influxo de Ca2+ → efeitos inotrópicos negativos (diminuem contratilidade).
- Nodos Sinoatrial (SA) e Atrioventricular (AV): Reduzem influxo de Ca2+ → efeitos cronotrópicos negativos (diminuem frequência cardíaca e condução AV).
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Tipos de Antagonistas (Química):
- Fenilalquilaminas: Verapamil (afeta mais o coração).
- Benzotiazepinas: Diltiazem (efeitos intermediários).
- Diidropiridinas: Nifedipino, anlodipino, felodipino, isradipino, nicardipino, nisoldipino, nimodipino (mais seletivos para o músculo liso vascular).
- Interação com Canais: Ligam-se à subunidade α1 do canal de Ca2+ tipo L.
Antagonistas dos Canais de Ca2+ - Propriedades Farmacológicas: Efeitos Cardiovasculares
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Ações no Tecido Vascular:
- Todos relaxam o músculo liso arterial, mas têm pouco efeito sobre veias.
- Diidropiridinas: Mais potentes vasodilatadores in vivo e in vitro.
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Ações nas Células Cardíacas:
- Verapamil/Diltiazem: Inotrópicos negativos mais proeminentes.
- Diidropiridinas: Inotrópicos negativos diretos, mas frequentemente mascarados por taquicardia reflexa devido à vasodilatação periférica.
- Verapamil/Diltiazem: Deprimem taxa de marca-passo do nodo SA e condução AV (fenômeno de dependência de frequência/uso).
- Diidropiridinas: Pouco efeito direto nos nodos SA/AV em doses clínicas.
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Efeitos Hemodinâmicos:
- Diidropiridinas (ex: Nifedipino): Dilatação arterial periférica, aumento do fluxo sanguíneo, taquicardia reflexa e aumento do débito cardíaco (compensam inotropismo negativo). Anlodipino causa menos taquicardia reflexa.
- Verapamil: Vasodilatador menos potente, efeitos cronotrópicos/dromotrópicos/inotrópicos negativos diretos. Bradicardia reflexa atenuada ou abolida.
- Diltiazem: Efeitos semelhantes ao verapamil, mas com inotropismo negativo mais modesto.
- Efeitos no Relaxamento Ventricular (Lusitropismo): Complexos e variáveis.
Antagonistas dos Canais de Ca2+ - Farmacocinética e Toxicidade
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Farmacocinética:
- Absorção oral quase completa, mas baixa biodisponibilidade (metabolismo de primeira passagem hepático).
- Formas de liberação prolongada reduzem flutuações e taquicardia reflexa (nifedipino).
- Ligação a proteínas plasmáticas (70-98%). Meias-vidas variam (1,3-64h).
- Metabolismo hepático (CYP3A4), metabólitos podem ser ativos (desacetildiltiazem, norverapamil).
- Ajustar doses em cirrose hepática ou idosos.
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Toxicidade e Reações Adversas:
- Diidropiridinas: Cefaleia, rubor, tontura, edema periférico (vasodilatação). Formulações de curta ação não recomendadas para uso crônico. Agravamento de isquemia (hipotensão excessiva, roubo coronariano, taquicardia reflexa).
- Verapamil: Constipação (efeito colateral comum). Bradicardia, assistolia transitória, exacerbação de ICC (raras, com doses IV ou em pacientes com doença do nodo SA/AV, ou com beta-bloqueadores).
- Interações: Verapamil IV com beta-bloqueadores é contraindicado (alto risco de bloqueio AV e depressão grave da função ventricular).
- Podem aumentar concentrações de digoxina.
Antagonistas dos Canais de Ca2+ - Usos Terapêuticos
- Angina Variante (de Prinzmetal): Fármacos de escolha (dilatam artérias coronárias e atenuam vasospasmo).
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Angina por Esforço: Eficazes para reduzir ataques e melhorar tolerância ao exercício.
- Melhoram a relação oferta/demanda de O2.
- Diidropiridinas podem agravar angina se usadas sem beta-bloqueadores (taquicardia reflexa).
- Combinação com beta-bloqueadores é comum e eficaz, especialmente diidropiridinas (não afetam condução AV). Verapamil/diltiazem com beta-bloqueadores requer cautela.
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Angina Instável: Podem ser úteis se houver vasospasmo. Não há evidência suficiente de redução da mortalidade.
- Diidropiridinas de curta ação não recomendadas.
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Infarto do Miocárdio (IM):
- Não há evidência de benefício no tratamento inicial ou prevenção secundária.
- Nifedipino de curta ação teve efeito prejudicial.
- Diltiazem e verapamil podem reduzir reinfarto em pacientes que não toleram beta-bloqueadores.
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Outros Usos:
- Antiarrítmicos (Capítulo 29).
- Hipertensão (Capítulo 27).
- Insuficiência Cardíaca (Capítulo 28).
- Profilaxia de enxaquecas (verapamil).
- Doença de Raynaud.
- Interrupção de trabalho de parto pré-termo.
- Vasospasmo cerebral (nimodipino).
Antagonistas do Receptor β-Adrenérgico (na Isquemia Miocárdica)
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Eficácia:
- Reduzem gravidade e frequência de angina por esforço.
- Melhoram sobrevida pós-IM.
- Não são úteis em angina vasoespástica (podem piorar se usados isoladamente).
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Mecanismo:
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Redução do consumo de O2 do miocárdio:
- Efeito cronotrópico negativo (diminuem FC, especialmente no exercício).
- Efeito inotrópico negativo (diminuem contratilidade).
- Redução da pressão arterial (especialmente sistólica no exercício).
- Aumento do fluxo para regiões isquêmicas.
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Redução do consumo de O2 do miocárdio:
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Fatores Adversos (em alguns pacientes):
- Reduções na FC e contratilidade aumentam o período de ejeção sistólica e volume diastólico final do VE → podem aumentar consumo de O2.
- Em pacientes com reserva cardíaca limitada: bloqueio β pode causar profunda redução da função VE.
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Uso Clínico:
- Angina Instável: Eficazes na redução de episódios isquêmicos recorrentes e risco de progressão para IM. Usar com cautela se vasospasmo.
- Infarto do Miocárdio: Melhoram controle da mortalidade. Administrar no início e indefinidamente se tolerado.
Comparação das Estratégias Terapêuticas Antianginosas
- Abordagem Individualizada: Avaliar população, patofisiologia e estágio da doença.
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Diretrizes ACC/AHA:
- Ácido acetilsalicílico e beta-bloqueador (história de IM).
- IECA em coronariopatia com disfunção VE e/ou diabetes.
- Terapia para hipercolesterolemia.
- Nitratos e antagonistas de Ca2+ para sintomas.
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Terapia Combinada:
- Nitratos e β-bloqueadores: Muito eficazes na angina de esforço. β-bloqueadores atenuam taquicardia reflexa dos nitratos; nitratos atenuam aumento do volume diastólico final do VE dos β-bloqueadores.
- Bloqueadores de Ca2+ e β-bloqueadores: β-bloqueadores são 1ª linha. Adição de bloqueador de Ca2+ se angina não controlada (especialmente se componente vasospástico). Diidropiridinas podem ser combinadas mais facilmente com β-bloqueadores (não atrasam condução AV).
- Bloqueadores de Ca2+ e Nitratos: Proporcionam alívio adicional. Nitratos reduzem pré-carga, bloqueadores de Ca2+ reduzem pós-carga. Risco de vasodilatação/hipotensão excessiva.
- Terapia Tripla (β-bloqueadores + bloqueadores de Ca2+ + nitratos): Pode fornecer alívio em casos refratários, mas aumenta a incidência de efeitos colaterais. Cautela com verapamil/diltiazem + β-bloqueadores.
Agentes Antiplaquetários, Anti-Integrina e Antitrombóticos
- Ácido Acetilsalicílico (AAS): Reduz incidência de IM e morte em angina instável.
- Tienopiridinas (Clopidogrel, Prasugrel): Reduzem mortalidade em síndromes coronarianas agudas (adicionados ao AAS).
- Heparina: Reduz sintomas e evita IM em angina instável.
- Inibidores da Trombina (Hirudina, Bivalirudina): Inibem trombina diretamente.
- Inibidores do Receptor GPIIb/IIIa Plaquetário (Abciximabe, Tirofibana, Eptifibatida): Eficazes na prevenção de complicações de intervenções coronarianas percutâneas (PCI) e no tratamento de síndromes coronarianas agudas.
Tratamento da Claudicação e Doença Vascular Periférica
- Contexto: Muitos pacientes com doença vascular periférica também têm doença da artéria coronariana.
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Terapias Eficazes:
- Antiplaquetários: AAS, clopidogrel, ticlopidina.
- IECA.
- Estatinas.
- Modificações no Estilo de Vida: Exercícios físicos, reabilitação, cessação do tabagismo são fundamentais.
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Fármacos Específicos para Claudicação:
- Pentoxifilina: Modificador reológico (modesto efeito).
- Cilostazol: Inibidor da PDE3 (vasodilatador, inibe agregação plaquetária). Melhora sintomas de claudicação, mas contraindicado em insuficiência cardíaca (risco de morte súbita).
Terapia Dispositivo-farmacológica: Stents Eluidores de Fármacos
- Stents Intracoronarianos: Melhoram angina e reduzem eventos adversos.
- Reestenose Luminal: Principal limitação da eficácia prolongada (proliferação de músculo liso).
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Stents Eluidores de Fármacos:
- Utilizam fármacos antiproliferativos (paclitaxel, sirolimo) para inibir proliferação celular.
- Reduzem visivelmente a taxa de reestenose em comparação com stents de "metal simples".
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Terapia Antiplaquetária Prolongada:
- Clopidogrel (por vários meses) + AAS (indefinidamente).
- Necessária devido ao risco de trombose tardia do stent (mesmo meses após inserção).
- Aumenta o risco de sangramento.
Terapia da Hipertensão - Introdução e Fisiopatologia
- Hipertensão: Doença cardiovascular mais comum. A prevalência aumenta com a idade.
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Consequências:
- Acidente vascular encefálico (AVE).
- Doença arterial coronariana (DC).
- Infarto do Miocárdio (IM), morte súbita cardíaca.
- Insuficiência cardíaca, insuficiência renal, aneurisma dissecante da aorta.
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Definição: Pressão arterial prolongada ≥ 140/90 mmHg.
- O risco de doença cardiovascular aumenta progressivamente com pressões mais altas.
- Após os 50 anos, a pressão arterial sistólica prediz melhor o desfecho.
- Hipertensão Sistólica Isolada: Comum em idosos (PA sistólica > 140-160 mmHg, diastólica < 90 mmHg).
- Emergências Hipertensivas: Casos com risco de vida (encefalopatia, insuficiência renal), exigem redução imediata da PA.
- Lesão de Órgão-Alvo: Hipertrofia ventricular esquerda, alterações na retina indicam pior prognóstico.
Terapia da Hipertensão - Princípios Gerais
- Objetivo: Reduzir o risco cardiovascular.
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Terapia Não Farmacológica (Primeira Linha):
- Perda de peso (em sobrepeso/obesidade).
- Restrição de sódio na alimentação.
- Aumento do exercício aeróbico.
- Moderação no consumo de álcool.
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Terapia Farmacológica:
- Reduz a morbidade e mortalidade da DCV.
- Reduz AVE, IC, insuficiência renal. O impacto no IM pode ser menos influente.
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Mecanismos de Ação dos Fármacos:
- Redução da resistência vascular periférica.
- Redução do débito cardíaco (inibição contratilidade, redução pressão de enchimento).
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Combinação de Fármacos:
- O uso simultâneo de diferentes classes é comum para controle eficaz da PA e redução de efeitos adversos.
- Não se pode prever a resposta individual a um fármaco.
- Fatores de Variação: Origem racial, idade influenciam a probabilidade de resposta.
Diuréticos (na Hipertensão)
- Classe Mais Usada: Tiazídicos (hidroclorotiazida, clortalidona).
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Mecanismo:
- Inicial: Redução do volume extracelular, queda do débito cardíaco.
- Crônico: Redução da resistência vascular periférica (o débito cardíaco retorna ao normal).
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Uso Clínico:
- Monoterapia para hipertensão estágio 1 (em muitos casos).
- Potencializam outros anti-hipertensivos.
- Clortalidona: Meia-vida mais longa, maior eficácia anti-hipertensiva (especialmente à noite) que hidroclorotiazida.
- Dose: Máximo de 25 mg/dia (hidroclorotiazida ou clortalidona) como monoterapia. Se não houver controle, adicionar outro fármaco. Doses maiores em hipertensão grave e refratária.
- Ineficazes se TFG < 30 mL/min (exceto metolazona).
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Efeitos Adversos:
- Perda de K+: Risco de hipopotassemia (pode potencializar arritmias).
- Disfunção erétil.
- Gota (hiperuricemia).
- Hiponatremia grave.
- Hipercalcemia.
- Aumento de triglicerídeos e LDL, intolerância à glicose.
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Outros Diuréticos:
- De Alça (furosemida): Úteis em insuficiência renal.
- Poupadores de K+ (amilorida, espironolactona): Usados em combinação para prevenir hipopotassemia. Risco de hiperpotassemia.
- Interações: AINEs reduzem o efeito anti-hipertensivo.
Agentes Simpatolíticos (na Hipertensão)
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Antagonistas do Receptor β-Adrenérgico:
- Mecanismo: Reduzem contratilidade miocárdica, frequência cardíaca, débito cardíaco. Bloqueiam receptores β no aparelho justaglomerular, reduzindo secreção de renina.
- Efeitos Adversos: Evitar em asma, disfunção SA/AV. Aumentam risco de reações hipoglicêmicas. Síndrome de retirada abrupta (hipertensão de rebote).
- Usos: Eficazes em todos os níveis de hipertensão. Preferidos em pacientes com IM, cardiopatia isquêmica, ICC.
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Antagonistas do Receptor α1-Adrenérgico (prazosina, terazosina, doxazosina):
- Mecanismo: Reduzem resistência arteriolar e aumentam capacitância venosa.
- Efeitos Adversos: Hipotensão postural (fenômeno de primeira dose).
- Usos: Principalmente com outros agentes. Atrativos em pacientes com hiperplasia prostática benigna (HPB).
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Antagonistas α- e β-Adrenérgicos Mistos (Labetalol, Carvedilol):
- Labetalol: Útil em emergências hipertensivas (IV).
- Carvedilol: Aprovado para hipertensão e ICC sintomática.
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Agentes de Ação Central (Metildopa, Clonidina, Guanabenzo, Guanfacina):
- Estimulam receptores α2-adrenérgicos no tronco cerebral, reduzindo efluxo simpático.
- Metildopa: Preferida na hipertensão durante a gravidez. EA: sedação, depressão, hepatotoxicidade, teste de Coombs positivo.
- Clonidina: EA: sedação, xerostomia, hipotensão postural. Síndrome de retirada com interrupção súbita (hipertensão de rebote).
Antagonistas dos Canais de Ca2+ (na Hipertensão)
- Mecanismo: Relaxam o músculo liso arterial, reduzindo a resistência vascular periférica.
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Efeitos:
- Diidropiridinas podem causar taquicardia reflexa. Verapamil/diltiazem têm efeitos cronotrópicos negativos que atenuam isso.
- Eficazes como monoterapia ou em combinação.
- Fórmulas de liberação imediata de diidropiridinas não são recomendadas para hipertensão crônica.
- Benefícios: Mais eficazes em idosos e afro-americanos. Úteis em hipertensão sistólica isolada.
- Clevidipino: Nova diidropiridina para uso intravenoso em hipertensão grave ou perioperatória.
Inibidores da Enzima Conversora de Angiotensina (IECA)
- Mecanismo: Reduzem os níveis de Angiotensina II (AngII), inibindo sua formação.
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Benefícios:
- Eficazes na hipertensão e em pacientes com diabetes (reduzem progressão da glomeruloesclerose).
- Benefícios em coronariopatia (após IM, melhora função ventricular).
- Potencializam diuréticos (diminuem produção de aldosterona).
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Efeitos Adversos:
- Angioedema: Raro, mas grave.
- Tosse seca: Comum.
- Hiperpotassemia: Risco aumentado com diuréticos poupadores de K+, AINEs, suplementos de K+.
- Disfunção renal: Contraindicados na gravidez. Reduzem filtração glomerular em estenose bilateral da artéria renal.
- Farmacocinética: Maioria aprovada para dose diária única.
- Respostas: Caucasianos jovens e de meia-idade respondem melhor.
Antagonistas do Receptor AT1 (BRA) e Inibidores Diretos da Renina
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Antagonistas do Receptor AT1 (BRA - Losartano, Candesartano, etc.):
- Mecanismo: Bloqueiam os efeitos da AngII ao se ligarem ao receptor AT1.
- Vantagens: Menos tosse e angioedema que IECA (não afetam bradicinina).
- Efeitos Adversos: Semelhantes aos IECA (hipotensão, hiperpotassemia, disfunção renal). Contraindicados na gravidez.
- Uso: Tão eficazes quanto IECA. Não recomendado combinar IECA e BRA para hipertensão.
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Inibidores Diretos da Renina (Alisquireno):
- Mecanismo: Inibe a capacidade da renina de produzir AngI.
- Eficácia: Reduz a pressão arterial.
- Uso: Agente complementar, sem evidência de benefício na prevenção de desfechos cardiovasculares em comparação com fármacos mais estabelecidos.
- Efeitos Adversos: Diarreia, angioedema. Contraindicado na gravidez.
Vasodilatadores (na Hipertensão)
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Hidralazina:
- Mecanismo: Relaxa diretamente o músculo liso arteriolar.
- Efeitos Adversos: Taquicardia reflexa, cefaleia, náuseas, hipotensão, síndrome lúpica induzida por fármaco (dose-dependente).
- Usos: Hipertensão grave (em combinação), ICC (com nitratos), emergências hipertensivas em grávidas (pré-eclâmpsia).
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Minoxidil:
- Mecanismo: Abre canais de K+ modulados por ATP, causando hiperpolarização e relaxamento muscular liso.
- Efeitos Adversos: Retenção de sal e água, taquicardia reflexa, isquemia miocárdica, hipertricose.
- Usos: Hipertensão grave refratária (sempre com diurético e simpatolítico).
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Nitroprusseto de Sódio:
- Mecanismo: Nitrovasodilatador que libera NO (dilata arteríolas e vênulas).
- Usos: Emergências hipertensivas, dissecção aguda da aorta, ICC grave.
- Efeitos Adversos: Hipotensão, toxicidade por cianeto/tiocianato (com infusão prolongada/doses altas).
- Diazóxido: Uso limitado, não mais recomendado para emergências hipertensivas devido ao risco de quedas abruptas de PA.
Seleção dos Agentes Anti-Hipertensivos
- Abordagem Individualizada: Complexa, considerando benefícios, doenças concomitantes, efeitos adversos e custo.
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Diretrizes Nacionais:
- Diuréticos: Terapia inicial preferida para a maioria da hipertensão estágio 1 não complicada.
- Outros fármacos de 1ª linha: Antagonistas β-receptor, IECA/BRA, bloqueadores de canais de Ca2+.
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Pacientes de Alto Risco (Indicações Imperiosas):
- ICC: Diurético, β-bloqueador, IECA/BRA, espironolactona.
- Diabetes: IECA/BRA (devido a nefropatia diabética).
- Pós-IM: β-bloqueador, IECA.
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Doenças Subjacentes que Influenciam a Escolha:
- HPB: Antagonistas α1-receptor.
- Enxaqueca: Antagonistas β-receptor.
- Gravidez: Metildopa.
- Hipertensão Sistólica Isolada: Diuréticos, bloqueadores de canais de Ca2+, IECA.
- Emergências Hipertensivas: Redução rápida da PA (nitroprusseto, labetalol, nicardipino, clevidipino, hidralazina).
- Hipertensão Resistente: Causa comum é o tratamento diurético inadequado e não adesão.
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By jorge veras
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