A teoria do desenvolvimento cognitivo de Piaget

Prof. Me. Lucas Henrique Viana

Julho de 2021

Você já parou para pensar sobre como é que as pessoas aprendem?

Foi um psicólogo suíço que revolucionou a maneira pelas quais as pessoas compreendiam a aprendizagem infantil, provocando mudanças nos antigos conceitos de aprendizagem e educação.

 

A partir da década de 70, o cognitivismo ganha ênfase e o behaviorismo cai.

Jean Piaget (1896-1980)

Para muitas pessoas

Piaget é conhecido pelos períodos de desenvolvimento cognitivo. No entanto, sua teoria do desenvolvimento é mais ampla, seu centro está nos processos de assimilação, acomodação e equilibração.

(MOREIRA, 1999)

Períodos de desenvolvimento cognitivo

Sensório-motor

Pré-operacional

Operacional-concreto

Operacional-formal

Períodos de desenvolvimento cognitivo

Vídeo experimento

Sensório-motor

Nascimento até 02 anos

Comportamentos do tipo reflexo

Sucção, preensão, choro e atividade corporal indiferenciada;

Ações não coordenadas

Ações isoladas, tendo como referência o próprio corpo;

Egocentrismo

Para ela, tudo gira em torno do seu eu;

Sensório-motor

Nascimento até 02 anos

Ao final deste período,  a criança começa a descentralizar as ações com relação ao próprio corpo e considerá-lo como um objeto entre os demais.

(MOREIRA, 1999)

Pré-operacional

02 anos até 06 ou 07

Caracteriza-se pelo uso da linguagem, dos símbolos e imagens mentais;

Pensamento mais organizado, porém não reversível;

Continua egocêntrica e cai facilmente em contradição;

Text

Pré-operacional

02 anos até 06 ou 07

A criança também não tem noção da transitividade;

Se a < b e b < c, então a < c

Operacional-concreto

De 6 ou 7 à 11 ou 12 anos

Descentração progressiva do egocentrismo;

Pensamento mais organizado;

Sob uma lógica de operações reversíveis.

Operacional-concreto

De 6 ou 7 à 11 ou 12 anos

Consegue pensar no todo e nas partes

A + A' = B

A - B = A'

A' - B = A

Operacional-concreto

De 6 ou 7 à 11 ou 12 anos

Torna-se capaz de identificar qual recipiente possui mais água.

Mas o seu pensar ainda é limitado.

As explicações baseiam-se no concreto

Operacional-formal

12 anos até a fase adulta

Capacidade de raciocinar com hipóteses verbais;

O ponto de partida é o concreto, mas o adolescente consegue operar mentalmente, manipulando proposições e formulando resultados;

O adolescente se torna capaz de fazer raicocínios hipotético-dedutivos;

Operacional-formal

12 anos até a fase adulta

Capacidade de manipular construtos mentais e de reconhecer relações entre eles;

No início desta fase, o adolescente manifesta um último tipo de egocentrismo;

Acha que somente ele está certo;

Vale ressaltar que

A passagem de um estado para outro não é instantânea;

Ocasionalmente, um indivíduo de um estado pode comportar-se como de outro anterior;

A ordem dos períodos é inevitável;

Assimilação, acomodação e equilibração

Segundo Piaget, o desenvolvimento cognitivo da criança se dá por meio de processos de assimilação e acomodação.

Assimilação

O indivíduo constrói esquemas de assimilação para abordar a realidade.

Na assimilação, a mente não se modifica.

O conhecimento que se tem sobre a realidade é alterado.

Acomodação

Quando a criança não consegue assimilar uma ideia

Desistência

Acomodação

A mente se modifica, construindo novos esquemas de assimilação

Não há assimilação sem acomodação

Equilibração

O equilíbrio entre assimilação e acomodação é a adaptação à situação;

Experiências acomodadas dão origem a novos esquemas de assimilação, e um novo equilíbrio é atingido;

O desenvolvimento da criança passa por reequilibrações e reestruturações sucessivas;

Aprendizagem

Para Piaget, só há aprendizagem quando o esquema de assimilação sofre acomodação.

Os esquemas de assimilação de uma criança evoluem de acordo com o período de desenvolvimento em que se encontram.

(MOREIRA, 1999)

"A mente tende a funcionar em equilíbrio, aumentando, permanentemente o seu grau de organização interna e de adaptação ao meio."

"[...] quando esse equilíbrio é rompido, a mente se reestrutura, para construir novos esquemas de assimilação e atingir o novo equilíbrio."

Esse processo é chamado de

equilibração majorante

(MOREIRA, 1999, p. 102)

Ensinar

significa provocar desequilíbrios na mente da criança, para que ela, procurando o reequilíbrio, se reestruture e aprenda.

Assim, o ensino deve sempre buscar ativar esse mecanismo.

A ativação da equilibração majorante deve ser compatível com o nível de desenvolvimento cognitivo da criança.

A ativação da equilibração majorante deve ser compatível com o nível de desenvolvimento cognitivo da criança.

E na escola?

Buscamos essa compatibilidade?

Precisamos causar desequilíbrios, porém que não sejam exagerados.

"Se o ambiente é pobre em situações desequilibradoras, cabe ao educador produzi-las artificialmente."

(MOREIRA, 1999, p. 104)

Segundo Piaget, o ensino deve ser acompanhado de AÇÕES e DEMONSTRAÇÕES, dando aos alunos, sempre que possível, a oportunidade de agir.

(MOREIRA, 1999)

"Maus alunos" em Matemática podem ter um bom desempenho em outras disciplinas.

 

O que lhes falta em Matemática são práticas que envolvam suas capacidades de compreensão.

O insucesso escolar em Matemática pode ocorrer pela passagem demasiadamente rápida de um tópico para outro, provocando um desequilíbrio tão grande que não é capaz de levar os alunos à equilibração majorante.

Referência

MOREIRA, Marco Antonio. Teorias de aprendizagem. São Paulo: Editora pedagógica e universitária, 1999.

2021-1 A Teoria do desenvolvimento cognitivo de Piaget

By Lucas Henrique

2021-1 A Teoria do desenvolvimento cognitivo de Piaget

Terceira aula

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