PRINCÍPIOS E TÉCNICAS DE ELETROENCEFALOGRAFIA EM NEUROCIÊNCIA
AULA 08 - PRÉ-PROCESSAMENTO DO EEG (parte I)
Instituto de Ciência e Tecnologia
Graduação em Engenharia Biomédica
Prof. Dr. Adenauer G. Casali
Laboratório de Neuroengenharia e Computação
casali@unifesp.br





PRINCÍPIOS E TÉCNICAS DE EEG EM NEUROCIÊNCIA
- Princípios do pré-processamento de EEG
- Filtragem: quando e como passar filtros?
- Artefatos de estimulação: o artefato magnético
- Inspeção visual de épocas e canais
- Removendo artefatos com a Análise de Componentes Principais
Adenauer G. CASALI
AULA 08
Nesta aula, nós veremos...


Princípios e Técnicas de EEG
Aula 08
1. Princípios do pré-processamento do EEG
Princípio 1: Não remova o que você não sabe o que é
Princípio 2: Não existe método perfeito
Princípio 3: Ser objetivo é bom mas lembre-se que o mapa não é o território
Princípio 4: O método serve ao sinal e não o sinal ao método
O Cérebro é complexo!
Se um método é eficiente para remover artefato, então o mesmo método pode acabar removendo atividade neural ou mesmo produzindo artefatos no sinal
Automatizar nem sempre é a solução
Experiência de identificar o que é relevante pode ser importante (análise "às cegas")
O sinal é quem manda (não esqueça de conferi-lo!)
Desconfie sempre (não esqueça de pensar!)

2. Filtragem
O que é um filtro digital?
Filtro
No tempo:
Na frequência:
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2. Filtragem

Filtro causal
Filtro não causal
Descrição alternativa:

No tempo...
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2. Filtragem

Na frequência...
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2. Filtragem

Na frequência...
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2. Filtragem
Sinal filtrado em um determinado tempo é o resultado de somas ponderadas do próprio sinal ao redor deste tempo

Atenção com a filtragem de épocas (especialmente com filtragem passa-alta)
Filtrando sinais segmentados
Princípios e Técnicas de EEG
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2. Filtragem
Uso de filtro passa-alta

Luck, S. J. - An Introduction to the Event-Related Techinque (2014) - cap. 7
Princípios e Técnicas de EEG
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2. Filtragem
Uso de filtro passa-alta

Luck, S. J. - An Introduction to the Event-Related Techinque (2014) - cap. 7
Princípios e Técnicas de EEG
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2. Filtragem
Filtrando sinais com artefatos do tipo "descontinuidade"


Atenção ao fenômeno de Gibbs (com filtragem passa-baixa)
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2. Filtragem
Distorções de fase produzidas por filtragem

filtro causal
"filtfilt"
"ringing"
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2. Filtragem
Distorções de fase produzidas por filtragem

passa-baixa
passa-alta
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2. Filtragem
Distorções de banda estreita: resposta ao impulso

"Boxcar" (50 ms)
Mesmo que o anterior com filtfilt
"Butterworth" passa-baixa (10Hz, ordem 8)
"Butterworth" passa-baixa (20Hz, ordem 8)
Mesmo que o anterior com filtfilt
"Butterworth" passa-banda (10-20Hz, ordem 8)
"Butterworth" passa-banda (10-20Hz, ordem 2)
"Butterworth" passa-banda (10-12Hz, ordem 2)
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2. Filtragem
Distorções de banda estreita: resposta ao degrau

Mesmo que o anterior com filtfilt
"Butterworth" passa-baixa (10Hz, ordem 8)
Mesmo que o anterior com filtfilt
"Butterworth" passa-banda (10-20Hz, ordem 2)
"Butterworth" passa-banda (10-12Hz, ordem 2)
"Butterworth" passa-alta (10Hz, ordem 2)
"Butterworth" passa-alta (10Hz, ordem 8)
Mesmo que o anterior com filtfilt
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2. Filtragem
Quando não filtrar?
Quando há informação útil na banda filtrada (óbvio!)
Quando o filtro introduz distorções nas mesmas escalas temporais dos potenciais de interesse (por exemplo, na morfologia dos ERPs!)

Efeitos de filtragem passa-alta

Quando o filtro introduz atividades oscilatórias em bandas de interesse do EEG

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2. Filtragem
Como filtrar? Regras gerais:
- Evite filtros de banda estreita ou notch
- Passa-alta? Prefira filtrar o dado contínuo sempre que possível
- Evite filtros de ordem elevada
- Considere remover os artefatos mais promenientes ANTES de aplicar filtragem
- Conheça o seu filtro e considere o que você quer medir
- Teste versões distintas
- Prefira filtros de fase-zero ou "filtfilt" sempre que possível
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2. Filtragem
FILTROS NO MNE:

Inspecionar o filtro: https://mne.tools/stable/generated/mne.viz.plot_filter.html#mne.viz.plot_filter
Filtrar dados raw: https://mne.tools/stable/generated/mne.io.Raw.html#mne.io.Raw.filter
Filtrar dados segmentados: https://mne.tools/stable/generated/mne.Epochs.html#mne.Epochs.filter
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3. Artefatos de estimulação: o artefato magnético
Exemplo de artefato que precisa ser removido antes de QUALQUER etapa de pré-processamento

Fonte: Rogasch et al., 2017
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3. Artefatos de estimulação: o artefato magnético
Método mais comum de remoção: cortar e substituir o dado (1 a 2ms antes, 5 a 10ms depois)
- Cortar o sinal e interpolar (interpolação cúbica)
2. Cortar o sinal e substituir por trecho anterior

Fonte: Hernandez-Pavon et al., 2023

Fonte: Rogasch et al., 2022
Magnético
"Decay"
Músculo
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4. Inspeção visual de épocas e canais
Quando remover épocas?
Quando remover canais?
No que atentar?
Posso filtrar antes?
Posso reamostrar antes?

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4. Inspeção visual de épocas e canais

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4. Inspeção visual de épocas e canais

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4. Inspeção visual de épocas e canais

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4. Inspeção visual de épocas e canais

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4. Inspeção visual de épocas e canais

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4. Inspeção visual de épocas e canais

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4. Inspeção visual de épocas e canais

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4. Inspeção visual de épocas e canais

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4. Inspeção visual de épocas e canais

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4. Inspeção visual de épocas e canais

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4. Inspeção visual de épocas e canais

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4. Inspeção visual de épocas e canais

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4. Inspeção visual de épocas e canais

Princípios e Técnicas de EEG
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4. Inspeção visual de épocas e canais

Princípios e Técnicas de EEG
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Registro de EEG completo no instante de tempo i:
Matriz canais por tempo:
Canais
Amostras

5. Análise de Componentes Principais
O que é a PCA?
Notação:
Vetor no "espaço do EEG"

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Transformação Linear no Espaço do EEG:
Suponha que os sinais sejam normalizados tal que
Nesse caso a covariância entre os canais é igual à matriz de autocorrelação:

5. Análise de Componentes Principais
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Probabilidade de se observar as variáveis x e y dado que a condição C é satisfeita
Primeiros momentos estatísticos
Segundos momentos estatísticos:
Correlação entre x e y
Covariância entre x e y

5. Análise de Componentes Principais
Mas o que significa a matriz de covariância??
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Se as variáveis forem independentes:
Segundos momentos:

5. Análise de Componentes Principais
Mas o que significa a matriz de covariância??
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Matriz de Covariância
Termos da Diagonal:
quantifica as variâncias de cada variável
Fora da Diagonal: quantifica a força da relação linear entre as variáveis!
Matriz simétrica e positivo-definida.
(Os autovetores da covariância formam uma base ortonormal do espaço!)

5. Análise de Componentes Principais
A matriz de covariância
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vetor coluna
vetor linha

5. Análise de Componentes Principais
Mas o que significa a matriz de covariância??
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Distribuição de Probabilidade Gaussiana

5. Análise de Componentes Principais
Exemplo em duas dimensões:
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5. Análise de Componentes Principais
Exemplos em duas dimensões:
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Após diagonalizar a matriz de covariância:
Supondo que possamos encontrar L autovetores ortonormais:
O conjunto
formará uma base ortonormal do espaço do EEG.
Autovetores
Autovalores

5. Análise de Componentes Principais
Transformação Linear no Espaço do EEG:
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Nesse caso, podemos definir a seguinte matriz quadrada de transformação:
Veja que:
é a projeção do potencial (tempo i) no autovetor k
Observe ainda que:
A matriz de covariância de Y é o resultado da transformação linear da covariância de X pela matriz A.

5. Análise de Componentes Principais
Transformação Linear no Espaço do EEG:
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Lembre que:
Logo, como os autovetores são ortonormais:

5. Análise de Componentes Principais
Transformação Linear no Espaço do EEG:
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na nova base definida pelos autovetores da covariância de X:
Após a transformação, a matriz de covariância entre as componentes será diagonal:
Mas é sempre possível encontrar uma base ortonormal?
Teorema espectral da álgebra: matriz de covariância é real, simétrica e positivo-definida!

5. Análise de Componentes Principais
PCA: transformação Linear no Espaço do EEG
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Transformação KL (Karhunen-Loeve): transformação ortonormal do espaço, rodando-o para a base de autovetores que diagonaliza a covariância entre os dados originais:
Uso possível de KL: compressão dos dados reduzindo a dimensão: ordenar os autovalores do maior para o menor e selecionar o espaço de dimensão desejada

5. Análise de Componentes Principais
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Exemplo: espaço em três dimensões

5. Análise de Componentes Principais
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Exemplo: espaço em três dimensões

5. Análise de Componentes Principais
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é a melhor aproximação, em termos do erro quadrado médio, do vetor original em um espaço de dimensão fixa.
Exemplo: espaço em três dimensões

5. Análise de Componentes Principais
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5. Análise de Componentes Principais
Uso da PCA na remoção de artefatos:
- Um artefato específico pode estar descorrelacionado da atividade neural
- Neste caso: a rotação da PCA isolaria a componente artefatual!
- Estratégia: rodar o espaço, remover a componente artefatual e retornar ao espaço original!
Principal aplicação: artefatos oculares
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5. Análise de Componentes Principais
Exemplo com ECG:
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5. Análise de Componentes Principais



Exemplo para remoção de artefato ocular
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5. Análise de Componentes Principais



Exemplo para remoção de artefato ocular
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Próximas Aulas:
AULA 09 (Tópicos Avançados) - Teorema de Shannon (parte II)
AULA 10 - Pré-processamento do EEG (parte II)
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EEG - Aula 08 - Pré-processamento do EEG (parte I)
By ADENAUER GIRARDI CASALI
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